Segundo turno é puro casuísmo
Autor da emenda que acaba com o segundo turno, o deputado federal José Janene (PTB-PR) não acredita que haja tempo para se implementar a reforma político-partidária para que ela possa valer já para a próxima eleição. Não tem calendário, afirma ele, referindo-se ao fato de que, antes de tocar neste assunto, o governo já manifestou que vai priorizar a Reforma da Previdência. Mesmo assim o deputado (foto) tem a esperança de que o segundo turno seja extinto.
Não tem sentido. A criação do segundo turno foi um casuísmo para que o candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva não vencesse a eleição para a Presidência em 89. É bom que se diga que, antes desse episódio, nenhum governador ou prefeito teve sua legitimidade contestada. O segundo turno só serve para que os candidatos derrotados na primeira fase chantageiem os que vão para a disputa final em troca de apoio. Isso sem contar os partidos laranjas que lançam candidatos sem qualquer chance apenas para negociar e conseguir uma fatia de poder.
Janene defende ainda a redução do número de partidos: Se você me perguntar, eu não sei o nome da metade dos partidos registrados hoje no Brasil. Na avaliação do deputado, quatro ou cinco partidos seriam o ideal. Uma das emendas que estão sendo discutidas na Comissão Especial do Senado prevê um sistema de barreiras para impedir que siglas minúsculas, sem representatividade, consigam cadeiras no Congresso. Partidos que não tiverem pelo menos 5% dos votos apurados para a Câmara Federal na última eleição, excluídos os brancos e nulos, distribuídos em pelo menos 1/3 dos estados, com um mínimo de 2% de cada um deles, não teriam vaga. (C.O.)





