As sessões da Câmara Municipal de Londrina começam nesta terça-feira e a expectativa é de um segundo semestre de muita polêmica, seguindo a tendência dos primeiros meses do ano. Além das duas comissões processantes (CP) e duas comissões especiais de inquérito (CEI) contra a administração de Barbosa Neto (PDT), os vereadores devem votar os cinco projetos de lei que alteram salários dos servidores públicos municipais. O sindicato é contra o 'pacotão', argumentando que causará impacto excessivo na folha de pagamento e que privilegia algumas categorias.
Esta pauta cheia, no entanto, deve ser contornada para que os vereadores possam cumprir a meta de aprovar ainda este ano o novo Plano Diretor de Londrina, composto por oito leis bastante complexas. ''Fizemos um cronograma de audiências e reuniões e vamos cumpri-lo. Com certeza, teremos o Plano Diretor aprovado este ano e vamos atender aos anseios da sociedade'', garantiu Rony Alves (PTB), presidente interino da Câmara.
Segundo o vereador, as investigações e denúncias contra o Executivo não deixarão de ser apuradas. ''Temos também a missão de fiscalizar a saúde e cobrar melhorias.''
Outra polêmica deste segundo semestre deve ficar por conta do projeto de lei cujo objetivo é revogar as chamadas ''Leis da Muralha'', que impedem a instalação de estabelecimentos que gerem grande impacto de veículos e pessoas em uma extensa área da cidade. As leis foram sancionadas pelo ex-prefeito Nedson Micheleti (PT) e a intenção de Barbosa é mantê-las. ''Essas leis representam uma reserva de mercado e afrontam o princípio constitucional da livre concorrência'', disse o autor do projeto, Roberto Fu (PDT), líder do prefeito na Câmara. ''Coincidentemente, havia uma lei da muralha, em Cascavel, mas recentemente foi revogada'', comentou Fu.
Ele disse que a lei obteve parecer favorável de praticamente todas as entidades e órgãos públicos consultados, como a Secretaria de Obras, Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), Associação Comercial e Industrial e sindicatos. ''Somente a Associação dos Supermercados de Londrina emitiu parecer contrário, mas a Apras estadual desautorizou a núcleo local e emitiu parecer favorável ao nosso projeto'', relatou Fu.
Para o presidente interino da Câmara, o projeto de Fu deve realmente causar polêmica. ''Essa lei foi aprovada, sabe-se Deus, por quais interesses particulares e precisa ser derrubada'', defendeu Rony Alves. Diante do apoio da maioria das entidades, Roberto Fu acredita que os vereadores vão aprovar seu projeto. ''Eu sinto que o prefeito é favorável (às 'leis da muralha'), mas acho que diante destes apelos da sociedade, ele não vai vetar.''
O prefeito Barbosa Neto (PDT) afirmou que espera agilidade da Câmara na aprovação de projetos encaminhados pelo Executivo, citando o Plano Diretor, e disse estar preocupação com eventual abertura de CP, que poderia cassar seu mandato. ''Claro que todos nós temos essa preocupação porque não há nenhuma outra Câmara no Brasil que faça três investigações contra o prefeito. Mas é o papel da Câmara, porque isso não aconteceu em outras legislações, quando havia um rolo compressor. Eu acredito que haja responsabilidade por parte dos vereadores, que não haja contaminação política e que não fiquem reféns de um único adversário''.

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