Segundo MP, empresa que fez doação ao PFL participou de desvios
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de dezembro de 2001
De Londrina 
A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) em Londrina sustenta que as empresas ligadas à empresa Esteio Aerolevantamentos tiveram participação direta na ''subtração de recursos da Prefeitura de Londrina''. As investigações da PIC revelam que parte do dinheiro desviado era transferido para as contas bancárias de Arion Cruz Santos (ex-funcionário da Esteio) e de Carlos Lucidório Trindade, sócio da empresa.
De acordo com a promotoria, Arion tinha procuração para representar as empresas do grupo Esteio junto à antiga Comurb e ''milhões de reais'' desviados da Prefeitura teriam circulado na conta bancária do acusado e da mulher dele, Eleonora Santos. As investigações do MP já resultaram em 20 ações judiciais, além de duas decretações de prisão do ex-prefeito Antonio Belinati.
Além da Esteio, Carlos Lucidório Trindade aparece como sócio da AGE, uma empresa que em agosto de 98 foi considerada vencedora de uma licitação fradulenta na Comurb, no valor de R$ 148,9 mil. Segundo a PIC, a primeira parcela de R$ 78,8 mil foi depositada em sua conta pessoal e transferida para Arion. Depois o dinheiro foi encaminhado ao ex-diretor-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, que entregou para Ivan Canziani, irmã do deputado federal Alex Canziani (PSDB).
A assessoria de imprensa do MP em Curitiba afirmou que ainda não há investigação específica sobre os nomes constantes da lista onde aparecem as supostas movimentações do caixa de campanha de Cassio. De acordo com o MP, o que está sendo investigado é se houve um gasto maior do que o valor declarado ao TRE.
Em 3 de maio deste ano, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em Curitiba denunciou Cassio, sete servidores municipais e dois empresários. Eles teriam burlado a Lei de Licitações em serviços de consultoria, fiscalização e gerenciamento do Programa Linhão do Emprego, beneficiando a Esteio. Na denúncia, os promotores pediram que Cassio seja afastado do cargo, até o julgamento do processo.
Segundo o MP, a Prefeitura de Curitiba prorrogou irregularmente por 12 meses um contrato firmado um ano e meio antes com a Esteio. Na prorrogação, o valor do contrato teria recebido um acréscimo de R$ 1,24 milhão 83,5% a mais do que o valor original, que era de R$ 1,485 milhão. Pela Lei de Licitações esse tipo de contrato poderia sofrer um aditivo máximo de 25%.
A denúncia foi encaminhada ao desembargador da 2 Vara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), Telmo Cherem. De acordo com o TJ, não há prazo para o julgamento. A Esteio também foi uma das patrocinadoras da campanha da reeleição de Jaime Lerner (PFL) em 98. Segundo a prestação de contas de Lerner ao TRE, a Esteio colaborou com R$ 5 mil. (L.R.)


