Segredos de Estado

Na maioria das missões ao exterior dos nossos governadores houve a preocupação em não detalhar a finalidade, alcance e objetivos buscados e/ou alcançados. Foi numa delas que Requião, com luzidia comitiva até de gente do Tribunal de Contas, foi à China. Lembro que o governador falou em desenvolver o ensino do mandarim para estreitar esse intercâmbio como de resto quando inaugurou o Hospital de Reabilitação anunciou que faria dele o melhor do Brasil com equipes médicas treinadas em centros especializados da Suécia. Até hoje esse hospital, só recentemente superando atendimento ambulatorial, continua na mesma e não conseguirá superar a hegemonia do Hospital Sara Kubitschek, de Brasília, o maior da América Latina na especialidade. Dessa ida à China veio a ideia de adquirir uma superdraga, o que acabaria gerando a operação Dallas da Polícia Federal, inclusive com algumas prisões.
Beto Richa é dos que mais viaja e argumenta agora que muitas delas trouxeram investimentos de ordem superior a R$ 5 bilhões como de resto vive a afirmar, desde os primeiros meses de sua primeira gestão, que teria arregimentado no Paraná Competitivo nada menos de R$ 20 bilhões, o que jamais foi especificado detalhadamente até porque, em função da quadra recessiva, foram consideravelmente reduzidos tais aportes nos últimos doze meses.
Bastou, porém, algum deputado fuxiqueiro, como diz mestre Romanelli, querer saber algo sobre essas missões e o tratoraço é acionado para evitar inconfidências. Sob o ponto de vista do marketing, a vice-governadora, Cida Borghetti, que em breve substituirá Richa no posto, dá de dez a zero em matéria de divulgação de suas andanças no exterior, numa delas apoiada pelo presidente da Itaipu, Jorge Miguel Sameck, em contatos com empresários e agentes culturais na Itália. Obviamente veremos fotos pela agência oficial de visitas a fábricas, inclusive com possível avaliação de uma vinda de montadoras ao Paraná, como se viu nos blogs dessa semana.
Curiosamente, foi o Paraná que não faz tempo interveio administrativa e judicialmente no sentido de combater a guerra fiscal, indispensável para gerar estímulos nos protocolos de intenções. Aliás, há uma tendência generalizada de criar resistências a esse facilitário e os pleitos já não tramitam com facilidade como anteriormente no Confaz, Conselho de Polícia Fazendária, que reúne secretários de Fazenda estaduais e órgãos do governo federal.

História
Quando em seu primeiro e agitado mandato, que teve inclusive sua cassação pelo TRE, Roberto Requião foi beneficiado pela inconsistência da condenação unânime: esqueceram de enquadrar Mário Pereira, o vice, na condição de litisconsorte necessário e tudo isso permitiu, com o decurso do prazo, que quando o STF foi fazer o julgamento final tinha havido perda de objeto com a etapa final do seu mandato. No "Correio de Notícias" uma genial manchete de autoria do Cícero Catani enunciava "O futuro de Requião a Sepúlveda pertence". Pois agora, ironicamente, é o ex-ministro do STF quem aciona o governo estadual como proprietário do apartamento que servia de sede da representação em Brasília e que teve suas instalações alteradas até para estúdio de televisão e com as quais o senhorio discordou. Quem fez tais reformas e assumiu essa responsabilidade foi o irmão Eduardo, logo depois de deixar o porto e assumir o escritório de nossa representação. Agora há um ação contra o governo por causa daquelas reformas que desfiguraram o projeto original e ainda por cima a cobrança dos alugueres em atraso.
O equívoco do TRE impediu que um dos maiores casos de peculato eleitoral fosse afinal punido pedagogicamente, isso antes da legislação de iniciativa popular, por obra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) impor algumas normas preventivas que deram uma depurada, mas não suficiente, no cenário, como se vê na Lava Jato e também na Publicano onde pelo menos R$ 4 milhões, achacados de contribuintes pelos auditores fiscais, drenaram para a campanha de Beto Richa, conforme delação premiada.

Folclore
Como se vê, o futuro de Requião num momento dependia de Sepúlveda Pertence e agora as mexidas no apartamento do seu ex-ministro envolvem o governo do seu sucessor.

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