Hebron, Cisjordânia - Uma montanha de escombros é tudo o que restou ontem da sede da Autoridade Palestina em Hebron, destruída durante a noite de sexta-feira pelo exército israelense durante uma operação de busca de ativistas entrincheirados no prédio.
A rádio militar israelense indicou que 15 palestinos morreram no desabamento do prédio, sitiado desde terça-feira passada.
Segundo habitantes do lugar, o imenso complexo foi destruído através de duas explosões, a 1 hora local de ontem (sexta-feira, às 19 horas de Brasília) e às 3 horas locais (21 horas).
‘‘Cortaram a eletricidade em Mukata, não se via nada, salvo os soldados que circulavam com tochas’’, afirmou Hayat Maswadé, uma palestina que ocupa a casa mais próxima.
‘‘A princípio pensamos que buscavam os ativistas, mais tarde compreendemos que colocavam explosivos. De pronto houve um ruído incrível, indescritível, pior do que um terremoto. Escondi o rosto debaixo de um cobertor e depois chorei ao ver que minha família estava sã e salva’’, afirmou.
O prédio ocre, com ares de quartel, deu lugar assim a uma montanha de concreto recoberta de pó, onde só era possível distinguir um depósito de água e umas antenas milagrosamente ilesas.
Os veículos dos funcionários da Mukata que tiveram de abandonar apressadamente o prédio ante a entrada do exército em Hebron, na noite de segunda-feira, foram destruídos. Outros ‘‘voaram’’, segundo a expressão usada por Maswadé, para aparecerem suspensos sobre um pequeno muro que cerca o lugar.
O ministro egípcio das Relações Exteriores, Ahmed Maher, acusou ontem o premier de Israel, Ariel Sharon, de alimentar a violência no Oriente Médio ao destruir o QG da Autoridade Palestina em Hebron.
‘‘Sharon alimenta a violência e complica ainda mais a situação. Esta política de Sharon não é estranha, mas é necessário que o mundo inteiro esteja consciente dela’’, disse Maher aos jornalistas.
Morte Uma palestina morreu ontem e seu marido ficou ferido em consequência de tiros dados por soldados israelenses quando circulavam por uma estrada da Faixa de Gaza. O casal passava por uma estrada próxima ao campo de refugiados de Dir El Balah, no sul da faixa, quando os soldados que vigiam o assentamento atiraram.
A mulher, de 31 anos identificada como Amina Al-Loh, recebeu vários tiros na cabeça e no peito, enquanto seu marido foi ferido nas pernas e em seguida levado a um hospital da zona, segundo fontes de segurança palestinas.

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