A prefeitura de Londrina decidiu investir, de maneira inusitada, na defesa do edital de licitação aberto para a compra de kits escolares para os alunos da rede municipal. Com duas ''banquinhas'' montadas no calçadão central ontem de manhã, os secretários Marco Antonio Cito (Governo) e Karin Sabec (Educação) comparavam os materiais escolares comprados pela prefeitura de Maringá, ao custo de aproximadamente R$ 2 milhões, com materiais considerados de melhor qualidade cujas especificações estão na licitação londrinense, com valor máximo de R$ 8,2 milhões. ''Estamos no centro para mostrar a diferença entre os kits comprados por Maringá e o material que nós queremos comprar. A diferença é gritante'' comentou Cito, enquanto segurava dois tubos de cola, um com a tampa vermelha e outro de tampa azul, conforme exige o edital londrinense.
O secretário informou que a ''exposição'' iria seguir por outros pontos de grande movimentação da cidade, como o conjunto Vista Bela, na região norte e a feira livre da avenida Saul Elkind, hoje pela manhã. ''Queremos saber porque não nos deixam abrir a licitação'', desabafou Cito. Ele evitou comentar se a atitude seria uma resposta ao prefeito maringaense, Silvio Barros (PP), que na sexta-feira encaminhou ao prefeito Barbosa Neto (PDT) kits do material distribuído naquela cidade. ''Talvez tenham se sentido ofendidos (Barbosa Neto questionou qualidade do kit maringaense), mas não queremos fazer disso uma disputa municipalista. Também não pode ser uma briga política, basta ver o partido do prefeito lá...'', cutucou, referindo-se ao PP. Em Londrina, um dos principais concorrentes ao Executivo é o pré-candidato pepista Marcelo Belinati.
Conforme a FOLHA mostrou ontem, o Ministério Público (MP) do Paraná entrou na Justiça com ação de improbidade administrativa contra o prefeito Barbosa Neto, o secretário de Gestão Pública, Fábio Reali e a secretária Karin. O MP aponta suposto superfaturamento e excesso de especificação. Karin contestou os argumentos dos promotores de Defesa do Patrimõnio Público. ''Se não compramos nada ainda, eu gostaria que o Ministério Público dissesse qual é o crime que eu cometi. É uma expectativa de crime?'', questiona a secretária.

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