Secretários se unem contra as perdas
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terça-feira, 23 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Os secretários estaduais de Fazenda fecharam questão a favor de mudanças na chamada Lei Kandir. Um projeto de lei complementar, redigido pelos secretários, prevê o fim da fórmula do seguro-receita e obriga a União a ressarcir integralmente as perdas registradas por Estados e municípios com a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas exportações de produtos semi-elaborados e primários e na compra de máquinas e equipamentos.
A redação provisória do texto suspende também a vigência, prevista para janeiro, da isenção do ICMS nos bens de uso e consumo das empresas. É preciso rever essa lei porque ela está provocando perdas sérias para os Estados, afirmou o secretário de Fazenda de São Paulo, Yoshiaki Nakano.
A minuta do projeto foi entregue informalmente ontem à Subcomissão de Reforma Tributária da Câmara, durante audiência pública de Nakano e dos secretários de Minas Gerais, João Heraldo Lima, do Pará, Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, e do Distrito Federal, Mário Tinoco. Os três primeiros são secretários de governos do PSDB e o último, do PT. O projeto reflete um consenso dos secretários de Fazenda, disse Nakano.
Lima, de Minas Gerais, disse que é inquestionável a existência de perdas de receita dos Estados e municípios. A lei é melhor para a União do que para os Estados, afirmou. É preciso alterá-la para equilibrar essa equação federativa. Tinoco, do Distrito Federal, disse que o custo da isenção do ICMS está sendo bancado integralmente pelos Estados e municípios. A União precisa assumir sua parte no estímulo às exportações.
Se o projeto redigido pelos secretários for aprovado pelo Congresso, o Estado de São Paulo terá direito este ano a receber R$ 985,4 milhões da União. Este total inclui as perdas dos municípios paulistas. O projeto prevê que o valor anual do ressarcimento a ser entregue aos Estados e municípios será de R$ 3,6 bilhões.
Durante a audiência pública, Nakano divulgou uma tabela da receita dos Estados com o ICMS de janeiro a junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 1996. A queda de receita total foi de 2,64%, disse. Esses dados são do próprio Ministério da Fazenda e comprovam que houve queda, afirmou. Pela tabela, a receita de ICMS de São Paulo caiu 0,8%. Em valores absolutos, Nakano estima que a perda do tesouro paulista este ano será de R$ 830 milhões.
O secretário mostrou também um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo (USP), que estima uma perda de receita do Estado de São Paulo de R$ 2,858 bilhões em 1998. Este valor inclui as perdas dos municípios paulistas. O estudo da Fipe está de acordo com nossas projeções, pois estamos verificando que as perdas são crescentes e superiores ao inicialmente imaginado. O secretário Lima confirmou a informação de Nakano, e disse que, inicialmente, estimou-se a perda de Minas Gerais em R$ 440 milhões este ano. Hoje, refizemos os cálculos e achamos que vai ficar em R$ 540 milhões.
A situação mais dramática foi relatada pelo secretário Paulo de Tarso, do Pará. Ele informou que a Lei Kandir reduziu em 13,71% a receita de seu Estado. Proporcionalmente, é a maior perda entre todos, disse.


