Três governadores de oposição designados para negociar a dívida dos Estados com o governo federal não querem participar hoje da reunião com os ministros da Fazenda, Previdência e Comunicações, destacados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), conversou por telefone com os colegas de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), e do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), e informou, por meio de sua assessoria, que os três devem ser representados por seus secretários nas negociações, se for confirmada a reunião apenas com os ministros.
Não estava definido, até a tarde de ontem, se os governadores estariam presentes para a abertura do encontro com os ministros. Eles defendem a discussão direta com o presidente. A conversa com os ministros foi oferecida pelo governo após o cancelamento da reunião entre Fernando Henrique e os governadores.
Olívio viajou ontem à tarde para Brasília, acompanhado dos secretários da Fazenda, Arno Augustin, da Administração, Jorge Buchabqui, e do chefe da Casa Civil, Flávio Koutzii, que devem realizar a reunião com os ministros em seu lugar. O governo gaúcho informou que Garotinho e Lessa adotariam a mesma estratégia de enviar emissários para falar com os interlocutores indicados pelo presidente. O secretário da Administração disse que os governadores esperam um ‘‘encaminhamento prático das reivindicações’’ apesar das reviravoltas que a reunião experimentou no últimos dias. ‘‘Tendo um encaminhado prático, nós não vamos transformar isso numa questão de honra’’, afirmou.
Carta O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, afirmou em entrevista coletiva que o governo desconhece a Carta de Porto Alegre (na qual os governadores manifestaram condições para negociação com o governo federal) e disse que o governo está aberto pra ouvir o que os governadores levarem à reunião hoje com os ministros. ‘‘Os governadores devem indicar os caminhos, que serão avaliados pelo governo federal’’, afirmou. Ele observou que não haverá solução igual pra todos os Estados, pois para alguns o problema maior é o sistema previdenciário, para outros é a folha de pagamento.
‘‘O governo estará mais atento aos Estados que estão fazendo reformas importantes e esses têm que ser mais considerados’’, disse Pimenta da Veiga. Segundo o ministro, o Espírito Santo é um desses Estados que, apesar da crise, está agindo. De acordo com o ministro, não está descartado um encontro futuro dos governadores com o presidente da República, mas ele garantiu que hoje não haverá esse encontro.
Pimenta da Veiga disse que se os governadores não considerarem positiva a renegociação da dívida como foi feita por seus antecessores, poderão voltar à situação anterior, que era ‘‘infinitamente pior’’.

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