Patrícia Zanin
De Londrina
Alguns secretários municipais ouvidos pela Folha reconhecem que as denúncias de corrupção do escândalo AMA-Comurb e que envolvem o prefeito Antonio Belinati (PFL) afetaram o dia-a-dia de trabalho na prefeitura. ‘‘Essa preocupação geral existe sim’’, admite o secretário da Fazenda, Jair Gravena.
Reportagem publicada ontem na Folha mostrou o clima de descontentamento, desânimo e revolta que se abateu sobre os servidores públicos municipais por causa das denúncias na administração. Gravena admite que o escândalo mexe não só com os servidores, mas com toda a cidade.
Para ele, é mais difícil a reclamação chegar direto ao secretariado, mas o próprio Gravena testemunhou um desabafo de um contribuinte durante o Pré-Olímpico, em fevereiro. ‘‘Eu estava contando ingressos no caixa junto com os funcionários e um senhor começou a xingar a prefeitura. Ele não sabia que eu era secretário.’’
A secretária da Mulher, Regina Stela Spagnuolo, diz que sua equipe, como todo o quadro do funcionalismo, está preocupada com as denúncias. ‘‘Mas estamos nos esforçando para que isso não atrapalhe nossas atividades porque temos o papel de retribuir serviços à comunidade’’, explica.
Segundo ela, a preocupação não impede, porém, que os funcionários de sua secretaria coloquem seus objetivos em prática. ‘‘Treinamentos e cursos com a comunidade continuam normalmente’’, assegurou.
‘‘A rotina da prefeitura e da cidade se mantém’’, emenda o secretário de Planejamento, Fábio Reali, para quem Belinati tomou todas as medidas para punir os culpados pelas irregularidades. A opinião sobre a rotina de trabalho na prefeitura, porém, não é compartilhada por vários funcionários ouvidos pela reportagem na última quarta-feira.
Os servidores se queixam que o secretariado tem se preocupado mais em fazer a defesa do prefeito do que em cuidar da parte administrativa e burocrática das secretarias. Belinati é alvo de uma Comissão Processante (CP) na Câmara que pode culminar na cassação de seu mandato.
O secretário de Governo que acumula a pasta de Recursos Humanos, Sidnei de Oliveira, disse que nada parou. ‘‘Temos feito um trabalho normal porque, independente de qualquer coisa, a cidade não pode estagnar.’’ Mas alegou ser legítima uma das principais reclamações da comunidade sobre o mato que toma conta da cidade. O secretário, porém, justificou: ‘‘Em época de chuva e sol, isso é normal’’.

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