Secretários negam participação nas escutas telefônicas
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sexta-feira, 20 de abril de 2001
De Curitiba 
O secretário especial de Chefia de Gabinete do Governador, Gerson Guelmann, repudiou ontem as declarações feitas pelo advogado Peter Amaro de Sousa de que foram feitos grampos telefônicos em várias instâncias do Estado e durante a última campanha eleitoral. Isto só pode ser uma brincadeira, afirmou, em tom de indignação.
Guelmann negou que tivesse qualquer ligação com policiais da Casa Militar. Não acho que os policiais da Casa Militar iriam seguir instruções de outras secretarias. Eu nunca tive qualquer envolvimento com este tipo de situação e se alguém afirmar isto, vou interpelar judicialmente. Não tenho qualquer problema de dormir durante a noite, argumentou. Ele se referia à declaração do advogado de que o secretário não iria conseguir dormir até segunda-feira, quando promete apresentar novas provas sobre os mandantes do grampo.
O secretário disse que não vê qualquer relação dos policiais militares Luiz Antonio Jordão e Afrânio de Sá com o grampo feito no gabinete da ex-secretária de Estado da Administração Maria Elisa Paciornik.
De acordo com o secretário, os militares fizeram grampo na Ocidental Distribuidora de Petróleo de forma independente, num caso típico de espionagem comercial e por este motivo foram afastados dos cargos. Não acredito que alguém do governo queira espionar outra pessoa do governo, afirmou. Somos uma equipe. Pessoas que trabalham num mesmo grupo. Este grampo deve ter sido feito por alguém de fora, considerou.
Quanto à campanha eleitoral, Guelmann sugeriu que o deputado Angelo Vanhoni (PT) tomasse providências para identificar grampos que possam ter sido feitos em comitês eleitorais. Cabe ao Vanhoni agora tomar providências. Nunca me envolvi nestas coisas, afirmou.
Segundo o secretário, durante a campanha do prefeito Cassio Taniguchi (PFL), ele teve um papel de planejamento. Agora eu quero que esta investigação seja feita a fundo, declarou. Guelmann acredita que o caso esteja tomando cunho político. Isso tudo pode ser uma estratégia política, afirmou.
O secretário-chefe da Casa Militar, coronel Luiz Antonio Borges Vieira, não quis dar entrevistas. Mas pediu para que o chefe de gabinete da Casa Militar, major Jorge Luiz Mattke, atendesse a reportagem.
Mattke disse que a Casa Militar já tomou as providências necessárias para o afastamento dos policiais supostamente envolvidos no caso da escuta telefônica. O major ficou indignado com as acusações do advogado e alegou que não existem provas contra o coronel Vieira em qualquer instância. Ele não pode dizer que o coronel é corrupto e arbitrário, afirmou. Ele não tem provas, disse o major. (L.P.)


