Oficialmente, seria apenas o anúncio de obras em saneamento básico e a inauguração da nova agência do trabalhador na cidade. Entretanto, a visita do governador Roberto Requião (PMDB) ontem a Arapongas (37 km a oeste de Londrina) foi uma espécie de retrospectiva das ações do atual mandato, acompanhada de uma série de declarações que praticamente não deixam dúvidas sobre a situação de pré-campanha do peemebista.
Requião foi ao município do Norte do Estado juntamente com os secretários Waldir Pugliesi (Transportes) e Émerson Neroni (Trabalho, Emprego e Promoção Social), afinados na exaltação das realizações do atual mandato, com números e comparações a governos passados. Neroni foi apresentado como o substituto de padre Roque Zimmerman pelos próximos meses, uma vez que, de acordo com o governador, o petista vai disputar uma vaga de deputado.
Como vem fazendo desde o final do ano passado, Requião preferiu deixar para depois da convenção do PMDB o anúncio de uma provável candidatura. ''Isso fica para depois da reunião do partido, qualquer coisa antes seria crime eleitoral'', disse. Sobre a escolha da sigla para a Presidência, não quis entrar em detalhes sobre uma aposta no ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, ou no governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. ''Aqui no Paraná vamos apoiar o que nos parecer melhor'', resumiu.
Sobre o fim da verticalização promulgado pelo Senado esta semana, o governador fez críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pediu a manutenção da medida, e até às legendas. ''Tanto faz a verticalização ou a desverticalização, mas vale lembrar que não existe lei anterior que estabeleça a verticalização. O TSE não tem a competência de legislar; além do mais, se tivéssemos partidos de verdade no Brasil, aí ela seria importante''.
No palco, os investimentos de R$ 649 mil para a Estação de Tratamento de Lodo com execução da Sanepar e recursos da Caixa Econômica Federal foram permeados por números e ações desde o início do atual mandato. ''Tínhamos 130 agências do trabalhador no começo, agora são mais de 240 em todo o Paraná'', destacou Neroni. Já na fala inflamada de Waldir Pugliesi, não ficaram de fora a recuperação financeira da Copel, os quilômetros de estradas recuperadas, nem o Porto de Paranaguá. ''Esse Estado saberá reconhecer de maneira muito clara tudo o que você fez'', sentenciou, olhando para o governador. Mais explícito, o prefeito de Arapongas sugeriu à população: ''Precisamos dele mais quatro anos''. O citado desconversou: ''Todo mundo pode dar opinião'', resumiu.

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