Secretários esperam sinal de Lerner
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quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Curitiba 
A maioria do secretariado do governador Jaime Lerner (PFL) está sem sigla e aguarda orientação do Palácio Iguaçu para definir seu futuro partidário. Dos 23 secretários de Estado, somente três assinaram ficha na última terça-feira. A primeira-dama Fani Lerner (da Criança e Assuntos da Família) e o ex-prefeito Rafael Greca (Casa Civil), que estão no PFL; e Joni Varisco (do Emprego e Relações do Trabalho), o mais novo filiado no PTB.
Greca e Varisco tinham pressa na definição. Ambos estão de olho nas eleições do ano que vem e devem - junto com outros 10 no mínimo - deixar o governo em abril como manda a lei da desincompatibilização. Greca quer o Senado, e Varisco uma cadeira na Câmara Federal. Preocupados também com 98 estão os secretários Rafael Dely (Política Habitacional), Armando Raggio (Saúde) e Cândido Martins de Oliveira (Segurança Pública).
Dely é o único secretário de governo que não seguiu Lerner. Continua filiado ao PDT e não pensa em abandonar a sigla. Raggio largou o PDT e aguarda um avanço nas conversas do grupo com o PSB, para assinar ficha no partido, o qual se sente afinado ideologicamente. Martins de Oliveira anunciou na terça que espera um sinal de Lerner para se filiar. Não tem veto algum nem ao PFL nem ao PTB e garante também que não é vetado por nenhum dos dois.
O segundo escalão do governo está tomando as devidas precauções. Omar Ackel (Mineropar), Antonio Leonel Polloni (Codapar) e Juraci Barbosa Sobrinho (IPEM), os três do PSDB, pediram desfiliação do ninho. Ackel, que disputa espaço para disputar uma das 54 cadeiras na Assembléia Legislativa, já anunciou que está no PTB. Barbosa Sobrinho e Polloni não tomaram posição ainda. João Elias de Oliveira (Ouvidoria) não é candidato, mas deixa o PSDB.
O presidente do Detran (Departamento de Trânsito), César Franco, está num impasse. Não sabe para que caminho seguir. O temor é a possibilidade de ficar numa mesma sigla que seus adversários políticos históricos em Guarapuava, o prefeito Vitor Hugo Burko e o deputado estadual Cesar Silvestri, que mais do que nunca estariam dispostos a formalizar o alinhamento ao governo do Estado.
Heinz Herwig (Transportes) permanece no partido do ex-governador Álvaro Dias. Fiel-escudeiro do presidente da Assembléia Aníbal Khury (PFL) e simpático ao ingresso de Lerner no PSDB, o secretário avisa que não vai arredar o pé. Já filiados, só que no PTB, Nelson Justus (Indústria e Comércio) e Hermas Brandão (Agricultura) não dependem de nenhuma orientação do Palácio. Disputam novamente no ano que vem a reeleição na Assembléia.
Lubomir Ficinski (Desenvolvimento Urbano) e Ramiro Wahrhaftig (Educação) se dizem soldados do governador. Não têm partido, mas devem seguir nos próximos dias as orientações de Lerner. Assim como Jaime Lechinski (Comunicação), que já anunciou que vai para o PFL, Giovani Gionédis (Fazenda) e Gerson Guelmann (Gabinete). (L.D.)


