Secretários de Vieira pedem demissão
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Agência Folha Florianópolis 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Vão-se os anéis...Vieira: reforma do secretariado pode ser a solução para escapar do impeachmentO governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), anunciou ontem uma ampla reforma do secretariado, para viabilizar uma aliança com o PFL e outros partidos de oposição e evitar o seu impeachment. Para facilitar as negociações, os 14 secretários de governo e mais sete presidentes de estatais entregaram os cargos ontem, durante reunião com Paulo Afonso. O governador disse que espera concluir a reforma em dez dias.
Com a reforma do secretariado, Paulo Afonso espera arquivar o processo de impeachment dentro de 60 dias, quando a Assembléia Legislativa deverá votar se procede a denúncia contra o governador. Paulo Afonso é acusado de ter cometido irregularidades na emissão de títulos do Estado para o pagamento de precatórios (dívidas reconhecidas pela Justiça). A maior parte do dinheiro foi desviada para o pagamento de obras e repasses para o Judiciário e Legislativo.
O secretário adjunto de Governo, Roger Bitencourt, afirmou que a demissão coletiva ocorreu por iniciativa dos secretários, para que o governo tenha tranquilidade para se oxigenar e, se precisar, mudar a sua equipe. Perguntado sobre o acordo com as oposições, Bitencourt disse: Não descarto que haja entendimento com outros partidos. Mas o governador vai conversar primeiro com o PMDB.
Paulo Afonso conversou por telefone com o presidente estadual do PFL, deputado estadual Pedro Bitencourt, na noite de ontem. Propôs que o PFL volte a ocupar secretarias do seu governo. A renúncia coletiva começou a ser articulada na noite de ontem, após o contato de Paulo Afonso com o PFL, durante reunião informal do secretariado no Palácio da Agronômica, residência oficial do governador.
Inicialmente, o secretário de Fazenda, Paulo Prisco Paraíso, o procurador geral do Estado, Von Hohendorf, e o secretário do Desenvolvimento Econômico, Henrique Weber, anunciaram que entregariam seus cargos. O objetivo dos dois primeiros era o de evitar o afastamento pela Assembléia Legislativa. Weber decidiu se demitir porque o seu partido, o PSDB, votou pelo afastamento do governador.
Na reunião realizada na manhã de ontem, coube ao secretário do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Ademar Duwe, formalizar a entrega coletiva dos cargos. Nota oficial dos secretários diz que o objetivo é o de propiciar a construção de uma nova etapa do governo Paulo Afonso. O secretário adjunto de Governo afirmou que já na sexta-feira deverão ser anunciados os primeiros nomes do novo secretariado. Uma parte dos secretários será mantida, outra remanejada e outra trocada por novos nomes.
Nessa nova fase do governo, o governador também vai preparar a sua defesa no escândalo dos precatórios. Roger Bitencourt disse que Paulo Afonso vai pedir a perícia de documentos, a ouvida de testemunhas e outras providências.
Paraíso A votação do pedido de impeachment do vice-governador de Santa Catarina, Jose Augusto Hulse, foi adiada para hoje, quando será discutida também a situação do ex-secretário da Fazenda, Paulo Prisco Paraíso, e do ex-procurador-geral do Estado, João Carlos Von Hohendorff. A demissão dos dois, publicada ontem no Diário Oficial, levou os partidos a sucessivas reuniões durante todo o dia.
PPB, PT, PSDB e PDT haviam decidido obstruir a votação de ontem, mas a presença dos oito deputados do PFL permitiu o quórum.


