Secretários de Requião estão sob fogo cruzado
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quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) terá bastante assunto para discutir com os membros de seu primeiro escalão quando voltar de sua viagem a Nova York. Além de uma crise detonada entre os secretários da Indústria e Comércio, Luís Mussi, e de Comunicação Social, Airton Pisseti, o superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião (leia box), e o secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, estão sob fogo cerrado da bancada de oposição na Assembléia Legislativa. A enxurrada de críticas acontece justamente às vésperas da votação do polêmico projeto que prevê o aumento do salário dos secretários estaduais para R$ 11 mil.
A situação mais explosiva é a crise entre Mussi e Pisseti. O estopim do desentendimento foi uma nota do jornalista Ogier Buchi, que dizia que Mussi acusava Pisseti de cobrar um ''pedágio'' de R$ 250 mil para liberar R$ 500 mil em verbas de propaganda oficial para a TV Exclusiva, de propriedade de Mussi. A nota foi publicada no jornal Gazeta do Paraná e lida pelo deputado Valdir Rossoni (PSDB) no plenário na última terça-feira.
Ontem, o assunto foi amplamente explorado pela oposição na Assembléia, em grande parte pelo silêncio do governo sobre o assunto. Pisseti informou ontem através de sua assessoria que não iria se pronunciar sobre o tema, e Mussi não foi localizado pela reportagem da Folha. O único efeito prático da denúncia até a tarde de ontem foi o anúncio da exoneração de Ogier Buchi do cargo de diretor da estatal Ecoparaná, cargo que acumulava com as funções de jornalista.
Sem que os deputados que apóiam o governo defendessem Pisseti, a oposição deitou e rolou. O deputado Valdir Rossoni (PSDB) aprovou uma emenda sugerindo que os R$ 81 milhões dos R$ 90 milhões previstos para a comunicação do governo fossem destinados para a área social. ''Até agora, ninguém explicou o que está acontecendo. Só sobrou para o lado mais fraco (o jornalista Ogier Buchi). Esse dinheiro então será melhor aproveitado na área de sáude ou habitação'', afirmou Rossoni.
Outro secretário que também foi criticado na Assembléia foi Luiz Fernando Delazari, da Segurança Pública. Barbosa Neto (PDT) pediu o afastamento do secretário devido a situação de insegurança na região de Londrina. ''Já tivemos 159 homicídios em Londrina este ano, e a situação só tende a piorar'', criticou.
As críticas aos secretários devem redobrar na semana que vem, quando os deputados devem decidir se aumentam o salário dos secretários de R$ 5,5 mil para R$ 11 mil como quer o governo, ou para R$ 8,5 mil, como defende o deputado André Vargas (PT). A verba de R$ 8,5 mil foi estipulada como teto por Vargas por ser equivalente à remuneração nominal de um ministro de Estado.


