Os secretários de Ambiente, Obras e Saúde reconhecem que serviços públicos prestados por meio de suas pastas são incapazes de atender as necessidades da população de Londrina e resultam nos altos índices de insatisfação revelados pela pesquisa Multicultural, FOLHA e Paiquerê AM, divulgada na quarta-feira passada (25). Os serviços mais criticados são a poda de árvores, o asfalto e o atendimento à saúde.

A secretária do Ambiente, Roberta Queiroz, disse que a demora para atender pedidos de poda ou erradicação de árvores é um problema recorrente, que se acumula desde 2005, mas que medidas estão sendo adotadas para dar vazão às solicitações. "Desde que assumimos fizemos profundas alterações internas para atender a essa demanda, mas por conta dos nossos recursos escassos os avanços ainda não são sentidos pela comunidade." Dos 602 entrevistados pelo Multicultural entre 20 e 23 de outubro, 78% disseram estar insatisfeitos ou muito insatisfeitos com a poda.

Segundo a secretária, o Ambiente é "a pasta com menos recursos e a segunda com mais demanda de serviços" e a falta de mão de obra é "principal gargalo". "São apenas três podadores na nossa equipe e as podas são feitas de forma arcaica, pois não temos os equipamentos necessários." Roberta ainda mencionou pedidos infundados em que não há necessidade de poda ou erradicação da árvore. Neste ano, disse a secretária, 8.426 pedidos de poda e erradicação foram atendidos, mas a fila ainda tem outros 7,5 mil requerimentos. Entre as medidas para diminuir o tempo de espera, ela citou um estudo para terceirizar a execução do serviço.

Imagem ilustrativa da imagem Secretários de Belinati reconhecem insuficiência de serviços públicos



O segundo lugar na lista de insatisfação do londrinense é o asfalto – 70,5% dos entrevistados se dizem insatisfeitos ou muito insatisfeitos com a qualidade do pavimento de ruas e avenidas. O secretário de Obras, João Verçosa, disse que o índice de insatisfação "reflete exatamente a situação da cidade, que não teve os cuidados adequados nos últimos anos". O antecessor de Verçosa, Fernando Tunouti, em junho, afirmou que metade dos 2,5 mil quilômetros de malha asfáltica de Londrina precisava de recape.

O atual secretário disse que suas equipes trabalham em duas frentes: o tapa-buracos, quando a qualidade da via permite; e recape, quando o asfalto está precário. Além disso, a intenção é, em breve, utilizar o chamado microasfalto em avenidas e ruas com boa qualidade de asfalto. "É uma espécie de capa que impermeabiliza a via, aumentando muito a vida útil do asfalto, o que previne que novos buracos se formem. É o mesmo material usado em rodovias." Segundo o secretário, o prefeito conseguiu recursos para este procedimento. "As coisas vão começar a melhorar." Ele disse que entre as dificuldades atuais, além da falta de recursos, está a precaridade da frota. "De 12 caminhões, dez estão parados."

Em terceiro lugar no ranking dos serviços pior avaliados, com 70% de reprovação, está o atendimento à saúde. Para o secretário Felippe Machado, "a pesquisa é um sinal de alerta" e retrata as dificuldades do setor. "Há uma fila de espera de 20 mil cirurgias eletivas e de 105 mil consultas especializadas", enumerou. "Estamos trabalhando para dar vazão a essa demanda, para melhorar o atendimento e já obtivemos bons resultados." Um deles seria a diminuição da espera para atendimento de urgência e emergências nas unidades de pronto atendimento, com PAI, UPAs e unidades do Jardim Leonor, Maria Cecília, União da Vitória. "No horário de pico, a demora era de 10, 12 horas. Fizemos adequações e reduzimos para 4, 5 horas. Fora do horário de pico, a demora média é 2h30."

Segundo Machado, estão sendo viabilizados recursos para reforma de unidades, para a contratação de médicos e profissionais da saúde e a intenção é ampliar recursos e ações para melhorar a atenção básica. "Está longe do ideal, mas temos feito um trabalho intenso." (Colaborou Guilherme Marconi)

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