Curitiba - O secretário de Estado da Educação, Maurício Requião, irmão do governador Roberto Requião (PMDB), pode enfrentar uma briga na Justiça ao assumir a coordenação geral da campanha de Ângelo Vanhoni (PT) e Nizan Pereira (PMDB). Maurício, por trabalhar para o Estado, fica impedido de dedicar o expediente a uma campanha eleitoral. Dentro do comitê, o nome de Maurício é tido como certo.
Conforme a legislação eleitoral, por ocupar um cargo público, Maurício Requião teria que se licenciar para poder assumir a função de coordenador da campanha. O artigo 73 da Lei 9.504 de 1997, inciso terceiro, proíbe que servidores públicos sejam cedidos ou usem seus serviços para comitês de campanha eleitoral, durante horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado. As proibições previstas em lei têm como objetivo evitar que seja afetada a igualdade de oportunidades entre os diversos candidatos.
De acordo com o jurista Torquato Jardim, ex-integrante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se não se licenciar, o secretário só pode cuidar da campanha fora do horário de expediente (que no governo vai das 8 horas às 18 horas). ''E não pode ser usada a estrutura do Estado, como telefones fixos, celulares ou fax'', disse o jurista. Doático dos Santos, presidente do PMDB municipal, confirmou que a coordenação geral ficará nas mãos de Maurício. A campanha tem a largada oficial marcada para hoje, às 10 horas, com uma caminhada no centro de Curitiba. No entendimento de Santos, porém, Maurício não precisa se licenciar da Secretaria da Educação para coordenar a campanha, pois ele não é o candidato da coligação ''Tá na hora, Curitiba'', que integra PT, PMDB, PCdoB, PCB, PTB e PSC.
Na noite de quarta-feira, Maurício participou do encontro de mobilização da campanha, e foi tratado como o mentor da campanha. A Folha não conseguiu contato ontem com Maurício, para comentar o assunto.
As coordenações já estão definidas nas principais campanhas. O coordenador da campanha de Osmar Bertoldi (PFL) é Gerson Guelmann, ex-assessor especial do ex-governador Jaime Lerner (PSB).
A campanha de Rubens Bueno (PPS) está nas mãos de Hélio Renato Wirbiski, da executiva estadual do PPS, que tem no currículo cerca de dez campanha políticas. Wirbinski começou a atuar na política com o grupo do ex-governador José Richa, pai de Beto Richa. Bueno começou sua carreira política no PMDB e já foi aliado do senador Alvaro Dias (PSDB), de quem foi secretário de Estado.
O ex-secretário estadual da Cultura e empresário Fernando Ghignone é o coordenador geral da campanha de Beto Richa (PSDB). Sérgio Reis, que já ocupou a pasta da Comunicação da Prefeitura de Curitiba e que era apontado como consultor de Osmar Bertoldi, há uma semana reforça a equipe responsável pela campanha do PSDB. O grupo que apóia Beto tem ligações com o grupo político do ex-governador Jaime Lerner, padrinho político do atual prefeito, Cassio Taniguchi (PFL). Porém, a campanha do PSDB quer correr desvinculada da imagem de Cassio, que apóia oficialmente Osmar Bertoldi, do mesmo partido. Pelo menos por enquanto, a campanha de Mauro Moraes do PL, partido do vice de Lula, José Alencar está sendo coordenada pelo próprio candidato, com a ajuda de assessores.

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