Secretário terá que se explicar ao Banestado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O secretário do Esporte e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos, vai ter que explicar à direção geral do Banestado as operações de risco e o pagamento de propinas apurados por auditoria interna durante sua gestão na Banestado Leasing. O presidente do banco, Manoel Garcia Cid, e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, já conseguiram a autorização do secretário para a quebra de seu sigilo bancário e de suas contas telefônicas para esclarecer as irregularidades.
Se ele (Magalhães) não teme a verdade, vai demonstrar toda a vontade em nos ajudar..., disse ontem Neco Garcia. Segundo ele, o Banco Central começou na semana passada uma investigação paralela das denúncias apuradas pelo corpo de auditores, e que até o momento já rendeu 16 processos administrativos e o afastamento de três funcionários.
O presidente do banco disse ainda que o secretário do Esporte e Turismo terá de se explicar para os conselheiros da Banestado Leasing. A conversa deve ocorrer na semana que vem. Os ânimos se acirraram depois que o presidente do banco anunciou que a Leasing terá que provisionar, isto é, dar garantias a todas as operações realizadas no período e que até hoje não foram pagas. A decisão causou mal estar interno.
O governador Jaime Lerner (PDT) ainda não recebeu cópias da auditoria feita pelo Banestado e concluída há cerca de 15 dias. O secretário da Fazenda, segundo Neco Garcia, ficou com a incumbência de repassar o dossiê para o Ministério Público. O responsável pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, em Curitiba, Rodrigo Chemim Guimarães, não recebeu a documentação, mas já sinalizou que vai instaurar ação penal contra os envolvidos.
O pedido de quebra de sigilo bancário do consultor Euzir Bággio, acusado de intermediar as propinas - feito pelo Ministério Público em maio e autorizado pelo juiz da Central de Inquéritos, Fernando Ferreira de Moraes, no início de junho - revelou detalhes das operações irregulares apuradas pela auditoria.
Uma delas envolve uma empresa do setor gráfico, que emitiu um cheque de R$ 75 mil nominal a Bággio. O cheque, de acordo com a petição feita pela Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, foi emitido em 8 de fevereiro de 96, dois dias depois da liberação à referida empresa, pela Banestado Leasing, da importância de R$ 1,5 milhão.
Diz o documento que cinco dias depois, Euzir Bággio transferiu da sua conta, no banco Citibank National Association - com sede em Curitiba - a quantia de R$ 35 mil para outra conta, a do funcionário da Leasing, Luiz Antonio Eugênio de Lima. Só nas contas dos funcionários Luiz Antonio Lima, José Edson Carneiro de Souza e Nacin Jorge André Neto foram detectados a soma de R$ 1,4 milhão, de acordo com a Promotoria.
Osvaldo Magalhães do Santos disse ontem à Folha que não teme qualquer tipo de represália. O secretário diz que não tinha conhecimento das operações de risco e do pagamento de propinas feitos durante a sua gestão.


