Curitiba - O projeto de lei que prevê a autarquização da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) no Paraná já preocupa o governo federal. Ontem, o secretário nacional de Agricultura Familiar, Valter Bianchini, esteve reunido com bancada do PT para pedir uma solução negociada com o governo Roberto Requião (PMDB) para que os convênios e os projetos de extensão rural tenham continuidade. ''O que queremos é que a bancada do PT ajude a estabelecer um diálogo para uma saída melhor. A extensão rural é fundamental para os agricultores familiares e manter o crédito através dos convênios é importante para o Paraná'', declarou Bianchini.
O especialista em agricultura familiar do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teme que os debates internos em torno da autarquização da Emater dificultem os repasses de verbas do governo federal para os agricultores familiares. ''A extensão rural é muito importante para gerar renda, incentivar a agricultura e promover a inserção social. Até hoje sempre contamos com forte apoio da Emater do Paraná na articulação do ensino e da pesquisa, qualificando os instrumentos agrícolas. Não podemos abrir mão disto'', ponderou. Bianchini não quis se posicionar contra ou favorável a autarquização. Apenas lembrou que o governo do PT promoveu a autarquização da Emater no Mato Grosso do Sul (MS) e não conseguiu solucionar os problemas existentes.
''Não vamos entrar no mérito da autarquização. O que a bancada do PT precisa é aprofundar a conversação seja no regime de empresa, seja no regime de autarquia, encaminhando soluções'', disse ele. Uma das alternativas, segundo Bianchini, seria a transformação da Emater em uma associação sem fins lucrativos (como o modelo implementado no Rio Grande do Sul). No Paraná, a Emater funcionava desta forma até o governo Alvaro Dias (PSDB). Para a deputada estadual Luciana Rafagnin (PT), a idéia é captar as experiências vividas por outros Estados e colocar os erros e acertos numa mesa de negociação com o governo do Paraná.
Já o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) quer ampliar o debate para que as modificações necessárias sejam feitas ao projeto, que já está há um ano e meio na Assembléia Legislativa e começou a tramitar em caráter de urgência a pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE). ''Não acho que exista uma decisão terminal de autarquização da Emater. Mas o pedido de urgência, apressou e desencadeou o processo de debate. Queremos discutir para que o resultado final beneficie todos os setores, principalmente os agricultores familiares, que precisam da Emater. Não podemos deixar que o Paraná perca recursos federais por conta deste debate que tem que ser técnico e não político. Caso contrário, só teremos perdedores no final do processo'', analisou Veneri.
Hoje pela manhã, uma nova audiência deverá aprofundar as discussões sobre a autarquização da Emater. Desta vez, a reunião será promovida pela Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa.

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