Curitiba - Os processos administrativos que estavam pendentes de análise na Corregedoria-Geral da Polícia Civil (PC) desde março de 2000 estarão prontos para análise do Conselho da PC (composto por delegados, promotores de Justiça e integrantes da Secretaria de Segurança Pública) no dia 1º de setembro. A confirmação foi dada ontem pelo secretário Luiz Fernando Delazari, que determinou a agilização de todos os processos que se referissem aos investigadores e delegados de polícia que foram citados na passagem da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico pelo Paraná.
Todos os processos foram designados para delegados diferentes, que terão que juntar as provas dos autos e dar um parecer pela punição dos profissionais ou pelo arquivamento dos procedimentos investigatórios. ''A sociedade paranaense não entende por que pouco foi feito contra eles. Temos que dar uma resposta para a sociedade. Isso não significa que eu estou acusando os delegados e investigadores de participação com os crimes elencados pela CPI. Significa apenas que quero saber a verdade e punir os culpados'', afirmou Delazari à Folha.
Depois de analisados, os processos administrativos vão ser incluídos na pauta do Conselho da PC que irá definir os encaminhamentos. Se forem julgados culpados pelos crimes apontados pelos parlamentares da CPI, os policiais civis poderão ser expulsos da instituição. No relatório final da CPI do Narcotráfico o Paraná aparece em destaque como sendo um Estado problemático, onde foi verificada a existência de uma rede criminosa que agiria no tráfico de drogas, furto e desmanche de veículos, torturas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A rede seria comandada por empresários, investigadores e delegados da Polícia Civil.
Os depoimentos e as denúncias feitas na passagem da CPI levaram vários policiais civis para a cadeia. Eles foram soltos depois pela Justiça Estadual. Poucos foram denunciados pelo Ministério Público (MP) estadual. O advogado criminalista Antonio Augusto Figueiredo Basto, que defende diretores da Associação dos Delegados do Paraná (Adepol), disse que não teme a expulsão ou condenação de qualquer dos citados na CPI. Para ele, os procedimentos investigatórios vão concluir que os supostos envolvidos eram inocentes e que foram usados para fins políticos.
''A CPI foi uma armação, um grande engodo. Não temo pelas investigações. Elas vão mostrar que foram tomados depoimentos de traficantes que não tinham credibilidade e as denúncias dos criminosos serviram como base para palanque e discurso político. Nunca provaram nada contra os delegados citados'', declarou Figueiredo Basto.

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