Curitiba - O secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, acusou ontem policiais civis e militares ligados ao grupo do tenente-coronel Valdir Copeti Neves de terem sido autores de um atentado, na noite de anteontem, contra um dos integrantes da força-tarefa criada para investigar o crime organizado e grupos de extermínio. A força-tarefa funcionaria na sede da Central de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Cisesp), no bairro de Santa Felicidade.
O policial, cuja identidade está sendo mantida sob sigilo, teria mudado de veículo para evitar reconhecimento por parte de crimosos que estariam ameaçando todos os integrantes da Cisesp desde a prisão de Neves, no último dia 5. Ele teria saído com a viatura descaracterizada usada pelo coordenador da Cisesp, delegado Harry Herbert, citado por Neves como sendo um de seus inimigos políticos durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga os conflitos agrários (CPMI da Terra).
Pouco depois de deixar o trabalho, o policial teria percebido que estava sendo seguido por um Passat cor prata. Ele teria tentado acelerar até que o carro teria emparelhado e tentado jogar a viatura descaracterizada para fora da rua. O policial teria desviado o carro para evitar uma colisão. O motorista do Passat teria descido com uma arma, mas teria desistido de atirar ao perceber que o investigador já estava armado. O mesmo veículo, Passat Prata, teria sido visto há uma semana fazendo fotos da fachada do Cisesp. Delazari relacionou os fatos à apresentação de fotos apresentadas por Neves aos deputados e senadores da CPMI da Terra e do Tráfico de Armas.
''São fortes índicios de que as fotos foram produzidas pelos homens de Neves. Tudo me leva a crer que a quadrilha dele que atuava no tráfico de drogas, armas, milícias armadas e prática de torturas ainda está bem organizada. Vamos chegar a outras autoridades do Estado. Não vou me intimidar. Aqui não tem moleza para bandido'', discursou. O policial (que segundo fontes da Folha, é um policial militar) teria sido atendido por socorristas, mas não teria ficado ferido. O carro que teria sido usado nas duas oportunidades está sendo verificado e já foi feito o retrato falado do integrante da suposta quadrilha do oficial da PM.
''É um bandido travestido de policial militar. Deu um depoimento extremamente politizado'', acusou Delazari, que criticou o trabalho da CPMI da Terra, em Curitiba, dizendo que serviu apenas para atingir as principais esferas de poder.
A Folha procurou ontem o advogado criminalista Cláudio Dalledone Júnior, que defende o tenente-coronel, e deixou recado. Entretanto, ele não respondeu às ligações.

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