São Paulo - O secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, resolveu antecipar-se à reunião da executiva nacional do partido, hoje, em São Paulo, e formalizou ontem o pedido de afastamento de todas as atribuições partidárias e também da comissão executiva. Na carta encaminhada ao presidente nacional da legenda, José Genoino, Pereira alega que a saída é para que possa se dedicar, ''integralmente, a sua defesa, até que o processo de CPI (comissão parlamentar de inquérito) seja concluído''.
Além da carta pedindo o desligamento, ele encaminhou também uma outra a Genoino e ao secretário nacional de Organização da sigla, Gleder Naime. No documento, Pereira requer ''que seja aberto o processo de comissão de ética para apuração de todas as denúncias'' envolvendo o nome dele, conforme compromisso que havia assumido perante a executiva.
''Solicito também que a Comissão de Ética Nacional do PT estabeleça um prazo limite para início e término do processo'', disse, em outro trecho da nota. O presidente nacional do PT recebeu os comunicados do secretário-geral do PT na sede nacional da agremiação, em São Paulo. Genoino deixou a sede do partido sem falar com a imprensa.
As cartas encaminhadas à presidência do partido por Pereira serão apresentadas aos membros da executiva na reunião de hoje, que tem início por volta das 10 horas. Integrantes da executiva esperam agora que o mesmo procedimento seja adotado pelo tesoureiro nacional da legenda, Delúbio Soares. Para integrantes da sigla, a permanência de Soares no atual cenário de acirramento das acusações pode ser prejudicial à imagem da agremiação.
Ao contrário do que fez nos últimos dias, quando entrava e saía pela garagem da sede da Direção Nacional do PT, o tesoureiro nacional do PT chegou ao partido por uma entrada lateral, por volta das 13h30. Soares não quis falar com a imprensa.
Soares participou ontem da preparação do presidente do partido, José Genoino, para a entrevista que ele daria à noite ao programa ''Roda Viva'', da TV Cultura. Enquanto Genoino respondia às perguntas formuladas por assessores e advogados, Delúbio garantiu que não há outro empréstimo ou vinculação formal do PT com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.
A amigos, no fim de semana, Genoino disse ter se sentido ''traído'' por Delúbio e afirmou que assinou o empréstimo de R$ 2,4 milhões com o aval de Valério ''em confiança''. O clima entre os dois ontem, porém, era de evitar confronto.
Genoino apostava em seu desempenho no ''Roda Viva'' como uma das armas para garantir sua permanência no cargo, o que será discutido hoje na reunião da executiva do PT. Ele passou o dia no diretório nacional e deixou a sede do partido, no centro de São Paulo, no fim da tarde, rumo à sua casa, onde seria atendido por um massagista, para chegar ao programa de entrevistas mais tranquilo. O presidente do PT não comentou o pedido de afastamento do secretário-geral do partido, Silvio Pereira, nem o pedido de abertura de processo na Comissão de Ética do PT.

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