Secretário faz apelo a concessionárias
Curitiba - O secretário dos Transportes, Waldyr Pugliesi, pediu ontem às concessionárias que ''coloquem a mão na consciência''. O secretário insiste em um acordo com as empresas que cobram pedágio no Paraná, com o objetivo de baixar as tarifas. O secretário disse que, de maneira geral, as reuniões não têm sido fáceis. São seis concessionárias que administram um total de 2,4 mil quilômetros de estradas. ''Em alguns casos, elas querem aumentar as tarifas'', reclamou, sem revelar nomes. Pugliesi disse que conversou ontem com representantes da Caminhos do Paraná, concessionária com a qual as negociações estariam mais avançadas.
Nos últimos dias, governo do Estado e concessionárias têm dado sinais de que um acordo ainda é a melhor opção para ambas as partes, e também para o usuário. Esse cenário reforça a tese de que o anúncio da encampação foi a forma política encontrada pelo governo para pressionar as concessionárias e gerar um clima favorável à redução das tarifas.
O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, afirmou que entregará hoje à tarde à Assembléia Legislativa as seis mensagens com a proposta de encampação. Será uma mensagem para cada concessionária. O texto vai trazer, segundo Quintana, as justificativas para a encampação, mas não o valor estimado de indenização às empresas. O governo alega que o alto custo das tarifas contraria o interesse público.
Tarifas mais baixas são de interesse direto do setor produtivo, preocupado com o alto custo do transporte da safra. Levantamento feito pela Organização e Sindicato das Cooperativas do Paraná, a Ocepar, aponta que do complexo soja (grão, farelo e óleo) e milho exportado em 2002, através do Porto de Paranaguá, 67% desses produtos chegaram ao porto em 315 mil caminhões de cinco eixos. Para chegar ao Litoral, o desembolso médio, por carga, foi de R$ 256 somando as viagens de ida e volta de cada caminhão. Com as viagens, o pedágio consumiu o equivalente a 74.414 hectares de milho (ou 6,19% da safra paranaense). A Ocepar avalia que o pedágio causa perda de competitividade da soja e milho paranaense em relação a concorrentes como Argentina e Estados Unidos. (M.D.)





