O secretário de Saúde de Maringá, Sandro Scolari, denunciou o desvio de duas mil Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) para hospitais da região. Ele apontou o ex-secretário Ivan Murad como o responsável pelos desvios. A acusação foi feita anteontem, no plenário da Câmara de Vereadores, onde ele foi chamado para explicar o motivo da dívida do município com os hospitais credenciados do Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme a denúncia, um dos hospitais beneficiados seria o São José, de Paiçandu (10 km a leste de Maringá).
Maringá tem gestão plena e é responsável pelos pagamentos dos serviços realizados, mas no último ano vem retendo os recursos para os hospitais. Murad foi secretário da Saúde de 1997 até fevereiro deste ano.
Desde ontem, duas equipes do Ministério da Saúde estão fazendo auditorias na 15ª Regional de Saúde e na secretaria municipal de Saúde. Os auditores estão verificando as causas da falta de pagamento dos hospitais, já que o repasse de R$ 1,9 milhão é feito mensalmente pelo ministério.
Segundo o ex-secretário, Scolari estaria tentando, através da denúncia, justificar a má administração da secretaria de março até agora. Ele disse que quando deixou a pasta havia apenas três equipes do Programa Saúde da Família. Mas que durante o processo eleitoral para a tentativa de reeleição do prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido), o número de equipes passou para 57. Murad calcula que, só na folha de pagamento, o aumento nas equipes representou R$ 590 mil mensais. ‘‘Com certeza o Scolari deve ter tido problemas para arranjar dinheiro, tanto que os hospitais estão sem receber.’’
Para o proprietário do Hospital São José, o médico Francisco Vieira Filho, Scolari usou de má-fé ao culpar os hospitais da região pela falta de dinheiro. Ele disse que os hospitais da região fizeram acordo a partir de 1997 com Maringá para o atendimento de pacientes por causa da falta de leitos na cidade.
Conforme o médico, de junho de 1998 a novembro de 2000, o Hospital São José atendeu 4.457 pacientes de Maringá. Até março deste ano, o hospital recebia por compensação através das AIHs autorizadas pela Secretaria de Maringá. Depois, com a gestão plena estabelecida pelo Estado do Paraná, os municípios foram proibidos de compensar e o São José ficou com dificuldades para receber.

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