Secretário é acusado de desvio de verba
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quinta-feira, 04 de dezembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaDenunciadoSecretário da Agricultura Hermas Brandão: pivô do desvio e da criseA investigação de um desvio de verbas do Programa de Apoio à Pequena Propriedade tendo o secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), como o pivô, gerou uma crise política no governo, que pode levar à antecipação da saída coletiva dos secretários-candidatos às eleições proporcionais de 98. Brandão é apontado - junto com o deputado estadual Milton Pupio (PTB) e o ex-prefeito de Faxinal (região do Vale do Ivaí) Dirceu Dutra Guerra (PDT) - de desviar R$ 40 mil dos R$ 60 mil destinados para reforma das instalações do Parque de Exposições localizado no município.
O vazamento da investigação foi preparado pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), na sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, da última terça-feira - que discutia entre outros itens de pauta a liberação dos empréstimos estrangeiros para o Programa Paraná 12 Meses. Requião prometia para hoje novas provas de desvios no mesmo estilo em Barbosa Ferraz.
Arquivo FolhaDenuncianteSenador Roberto Requião: responsável pelo vazamento da investigação
Ainda na noite de anteontem, o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), ficou reunido por mais de duas horas com o governador Jaime Lerner, na avaliação do caso. De lá para cá, já é corrente que o nome de Brandão para vice na chapa de Lerner para o governo em 98 fica inviabilizado.
Após uma cerimônia no Palácio Iguaçu, ontem o governador comentou apenas que toda a denúncia tem de ser esclarecida, antes de se tomar qualquer medida administrativa. Ele não saiu em defesa do secretário, mas disse ter certeza de que Brandão prestaria os esclarecimentos necessários.
A investigação sobre os atos de Brandão vem sendo apurada há cerca de 60 dias pelo Ministério Público de Faxinal e por uma Comissão Especial de Investigação (CEI) instaurada pela Câmara Municipal.
Em decorrência da Ação Civil Pública patrocinada pela promotora Kyo Sun Lee, o secretário, o deputado e o ex-prefeito de Faxinal sofreram quebra de sigilo bancário de suas contas particulares. A ordem partiu da juíza Luciani Regina Martins de Paula, de Faxinal. No rastreamento bancário foi detectado que três cheques caíram nas contas dos envolvidos, contabiliza a presidente da Comissão Especial, vereadora Maria Brugnari Camacho (PMDB).
Apenas dois cheques (de R$ 15 mil cada), depositados um na conta pessoal de Hermas Brandão e outro na da empresa Agropecuária Rio Branco, de propriedade da família Pupio, na Caixa Econômica Federal, teriam desvio comprovado, conforme a vereadora. Ela aguarda para esta semana novo rastreamento, agora no Itaú, para detectar se um cheque de R$ 10 mil teria sido depositado na conta do ex-prefeito Dirceu Dutra Guerra. Só depois disso é que a Câmara Municipal vai apresentar relatório final sobre o caso.
Está provado que os recursos não foram aplicados no parque, afirma o advogado contratado pela Câmara de Faxinal, Gerôncio Taborda Rocha Junior. Pelo levantamento feito, só refizeram alguns palanques do parque e pinturas a cal, aponta ele, observando que seria uma obra de preço muito aquém dos R$ 60 mil liberados.
A equipe jurídica do senador Requião quer levar o escândalo para a Justiça, em Brasília. Seus advogados ajuizaram ontem noticia criminis contra os três envolvidos na Procuradoria da Justiça em Curitiba e no Distrito Federal, por se tratar de recursos do Programa de Agricultura Familiar do governo federal. A tentativa do senador é enquadrar Brandão, Pupio e Dutra Guerra em crimes de colarinho branco, sonegação fiscal e improbidade administrativa.


