São Paulo - O líder do PP na Câmara dos Deputados, José Janene (PR), repudiou ontem as acusações de que estaria envolvido no suposto esquema de mensalidades pagas a parlamentares. Segundo declarações do secretário-geral do partido, Benedito Domingos, a distribuição de recursos de um ''apoio financeiro'' a deputados era feita na residência de Janene em Brasília, num edifício funcional da Asa Sul que era chamado de ''pensão'' pelos próprios deputados do PP.
Domingos, que já foi deputado por duas vezes e também vice-governador do Distrito Federal, disse que o chamado ''mensalão'' não tinha esse nome e circulava em uma espécie de caixa 2. ''Você sabe que as pessoas tinham, mas não sabia de onde vinha'', afirmou.
Em entrevista, Domingos disse que há dois meses o deputado Pedro Henry (MT) lhe propôs deixar a presidência do PP no Distrito Federal em troca de dinheiro e repassar o cargo para o senador Valmir Amaral. Henry teria dito que a proposta foi feita em nome de Janene e do deputado Pedro Correia (PP-PE). Domingos afirma que não aceitou a proposta.
O secretário-geral disse que o partido tem cargos no Instituto Resseguros do Brasil (IRB), nos Correios e na Companhia de Abastecimento. Falou que chegou a ser indicado para uma diretoria dos Correios, mas acabou sendo vetado pelo próprio Janene. ''Agora, eu tenho de agradecer a ele'', comentou.
A afirmação de Domingos confirma as denúncias feitas pelo presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), de que Janene participava do suposto plano de pagamento de mesadas do PT a parlamentares do PP e PL em troca de apoio ao governo no Congresso.
Segundo Janene, o secretário-geral do PP, que foi tesoureiro nacional da legenda até abril, sofre um processo de expulsão da sigla por ter falsificado uma ata interna. ''Ele (Domingos) levou o livro de ata para a casa dele e fez um adendo. Só que ele foi pego em flagrante porque a ata estava registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não consta no TSE este adendo. Em função disto, ele está sofrendo um processo de expulsão do partido'', informou.
Sobre o fato de Domingos ter classificado a residência de Janene com uma ''pensão'' devido à grande circulação de visitas de parlamentares, Janene disse que o procedimento é normal por causa da condição de liderança.
''Ela é chamada de pensão porque ela fica com a porta aberta e tantos quantos chegam jantam ou almoçam, dependendo da hora que chegam. Eu tenho orgulho disso. É a casa mais frequentada de Brasília, não só por deputados do meu partido, como de outros partidos também'', afirmou Janene.

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