Os mais de 7,1 mil servidores da Prefeitura de Londrina ficarão sem o 13º salário no mês de dezembro, afirmou ontem o secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella. De acordo com o chefe da pasta, a medida será necessária em virtude de uma suposta queda na arrecadação da dívida ativa do Município, dada a greve que completa hoje 51 dias.
Segundo o secretário, a administração já tem em mãos os cálculos do quanto deixou de ser arrecadado desde 8 de agosto, quando teve início a paralisação pela reposição das perdas salariais de cinco anos. ''Não há como o 13º ser pago este ano, pois tivemos uma ausência de arrecadação (da dívida ativa, entre IPTU e ISS) de R$ 12 milhões a R$ 13 milhões, e a folha do 13º é de aproximadamente R$ 15 milhões'', explicou, para completar: ''O servidor tem que se preparar para não contar com esse pagamento''.
Sella também sinalizou com problemas nos salários de novembro e dezembro, e, novamente, a todo o funcionalismo. ''O sindicato (que representa os servidores, o Sindserv) levou a categoria para o fundo do poço. Agora é hora de os funcionários decidirem de vez se acreditam no prefeito ou no Sindserv - sem salário e sem reposição, não é possível continuar em greve'', clamou secretário.
Questionado sobre as razões de o Executivo não ter antecipado a primeira parcela do 13º, em agosto, Sella admitiu que o motivo era justamente a ameaça de greve que vinha desde meses anteriores - especialmente, de que seria após a Copa do Mundo. Dessa forma, justificou o secretário, a opção teria sido uma estratégia para não ''comprometer ainda mais'' um caixa que se abalaria por eventual queda na arrecadação.
Impedida judicialmente - em caráter liminar - de efetuar desconto na folha do mês passado, a administração decide hoje ou amanhã se desconta no próximo holerite os dias parados. Apesar disso, o prefeito Nedson Micheleti (PT) já avisou: sente-se ''no dever'' de não pagar os dias de quem não trabalhou. Ontem, após comentar quando sairia uma posição sobre o abatimento, Sella resumiu que cada caso seria analisado separadamente - referência àqueles que aderiram total ou parcialmente à greve.
O diretor de comunicação do Sindserv, Éder Pimenta, avisou que a entidade deve buscar apoio judicial contra eventuais novos descontos, caso ocorram. ''Não estamos deixando os postos de trabalho, mas reivindicando um direito que é garantido na Constituição. Essa greve é só a continuidade da greve de 2005 (feita no primeiro semestre, e que durou 31 dias); se tivessem cumprido o acordo pelo fim do movimento passado, isso não aconteceria agora'', declarou.
Sobre o não pagamento do 13º, Pimenta classificou o anúncio de Sella como ''ameaça'' para intimidar a categoria. ''É muito estranho que falem isso agora, quando já poderiam ter antecipado a primeira parcela'', disse.

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