Curitiba - O secretário estadual de Comunicação Social Airton Pisseti não compareceu ontem à Assembléia Legislativa para esclarecer denúncias de que estaria cobrando propina para liberar verbas para emissoras de televisão. A denúncia foi feita pelo jornalista Ogier Buchi na semana passada, em uma nota que garantia que o secretário de Indústria e Comércio Luís Mussi havia sido procurado por Pisseti para que sua emissora, a TV Exclusiva, recebesse R$ 500 mil do governo. Em troca, Pisseti receberia de volta R$ 250 mil.
Pisseti desmarcou a reunião com os deputados ontem, alegando compromissos inadiáveis em Porto Alegre. A bancada de oposição chegou a protocolar um requerimento pedindo a convocação forçada de Pisseti, embasada na lei que permite aos parlamentares requererem a presença de qualquer secretário de Estado. Porém, a bancada do governo, que é majoritária na Casa, recusou a convocação.
O deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) aproveitou a ausência de Pisseti para atacar fortemente o governo. Segundo ele, falta coragem ao governador Roberto Requião (PMDB) para exonerar um dos dois secretários. ''Ou um secretário está sendo corrupto ou o outro está mentindo na acusação. DE qualquer jeito, um dos dois está errado. O fato é que nosso governador, normalmente tão audaz e valente, está agora uma verdadeira tchutchuca nessa situação'', disparou Rossoni.
Até mesmo deputados da base aliada concordam que a crise entre os dois secretários está se tornando insustentável. ''Acho que o Requião não tomou nenhuma decisão ainda porque ele não gosta de agir sob pressão'', afirmou Nereu Moura (PMDB).
O líder do governo na Assembléia, Natálio Stica (PT), garantiu que não há irregularidades na gestão de Pisseti e que o secretário irá comparecer à Assembléia. ''Apesar do compromisso inadiável, o secretário me confirmou que virá a Assembléia na semana que vem sem problema nenhum. Aí vai ser mostrado que a oposição só está querendo fazer carnaval, e que não há irregularidade nos gastos'', disse Stica.

mockup