Secretário depõe e acusa deputados
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quarta-feira, 29 de junho de 2005
Equipe da Folha 
Curitiba - O secretário de Estado da Comunicação, Airton Pisseti, confirmou ontem à Comissão de Ética da Assembléia Legislativa que o deputado Pastor Edson Praczyk (PL) pediu R$ 45 mil em mídia, por mês, para votar com o governo. Pisseti alegou que a única prova que tem é sua palavra e que relatou a tentativa de achaque ao governador Roberto Requião (PMDB) no dia seguinte da conversa com o deputado, cerca de 40 dias atrás. O secretário disse ainda que os deputados Mauro Moraes (PL) e Renato Gaúcho (PDT) estavam presentes na sala na hora do pedido, porém o único que falou foi Praczyk.
Pisseti foi breve em seu relato. ''Recebi em minha sala o pastor Edson Praczyk acompanhado do deputado Renato Gaúcho e Mauro Moraes. Em síntese foi solicitado uma verba de R$ 45 mil mensais para que a bancada votasse a favor do governo. Estranhei. Desde que começei nesta gestão nunca tinha recebido nenhum tipo de oferta. Quem falou durante todo o tempo foi o pastor Edson Praczyk. Não escutei isso da boca do deputado Renato Gaúcho tão pouco da boca do Mauro Moraes, embora estivessem juntos. Quero confirmar, então, as denúncias que o governador fez. Imediatamente comuniquei ao governador do que eu tinha escutado e avisei ao pastor que ia levar ao conhecimento do governador porque isso tratava de algo totalmente anômalo'', relatou.
O secretário de Comunicação, respondendo a uma pergunda do deputado Neivo Beraldin (PDT) se havia testemunhas ou gravação da conversa, afirmou que a única prova que tem do que diz é sua palavra. ''Não gravo minhas conversas. Não tenho mais razão de receber pessoas quando eu gravar minhas conversas'', afirmou. ''Não há provas. É a minha palavra contra a palavra dele'', reafirmou. Apesar de afirmar que Gaúcho e Moraes estavam juntos, Pisseti contou que eles atenderam o telefone por diversas vezes e confirmou que chamou seu assessor técnico para conversar com Moraes, mas sem que saísse da sala em nenhum momento. ''Minha sala é ampla. Não posso afirmar que eles ouviram a proposta de Praczyk.''
No final da audiência Pisseti afirmou que foi colocado em posição ridícula, já que está falando a verdade e reclamou que a oposição quer fazer espetáculo do assunto.
Antes do secretário, o líder do governo na Assembléia, deputado Dobrandino da Silva (PMDB), prestou depoimento. Ele disse apenas que esteve presente somente no começo da reunião e logo saiu. Dobrandino afirmou que ficou sabendo do caso pela imprensa. Seu depoimento foi confirmado por Pisseti. A Comissão de Ética paralisa os trabalhos durante o recesso de julho e deve retomá-los em agosto.


