Secretário demitido denuncia irregularidades
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Giovani Ferreira Ponta Grossa 
O ex-secretário de Administração e Negócios Jurídicos de Ponta Grossa, Reinaldo de Almeida César, que na última sexta-feira foi exonerado pelo prefeito Jocelito Canto, partiu para o contra-ataque e na tarde de ontem tornou público uma série de irregularidades que estariam sendo praticadas pela atual administração municipal. As denúncias revelam influências de grupos empresariais na administração pública e favorecimentos ilícitos nos processos de licitações.
Exonerado da noite para o dia, Reinaldo não descartou a possibilidade de fazer parte de uma ação popular para que sejam apuradas as irregularidades e, se for necessário, promova a destituição do prefeito. No entanto, Reinaldo disse irá aguardar o retorno de Jocelito, que se encontra-se me viagem à África do Sul, para tomar uma atitude mais enérgica e até mesmo definitiva.
Entre as denúncias apresentadas por Reinaldo está a dos processos de licitação vencidos pela empresa Azizi Miranda. Segundo Reinaldo, em um dos processos a prefeitura fez licitação para a compra de uma máquina de produção de meio-fio. A Azizi Miranda venceu mas não entregou a máquina. Outra licitação vencida por essa empresa foi para o fornecimento de cera líquida. O produto entregue para a Secretaria de Educação era de qualidade extremamente inferior.
O fator que despertou a suspeita de ilegalidade nesses dois casos, explica Reinaldo, é que o vereador Roberto Alfredo Mongruel (PSDB), um dos pivôs de toda a crise que se instalou na prefeitura, foi sócio da Azizi Miranda, que foi criada em 31 de dezembro do ano passado, um dia antes da posse do prefeito Jocelito Canto. A Folha procurou mas não conseguiu contato com a direção da Azizi Miranda.
Outra denúncia faz referência a empresa Pontamat, que tinha um contrato de fornecimento de cimento com a prefeitura municipal. Reinaldo alega que foi pressionado a renovar o contrato com essa empresa, que se expirou no dia 15 de abril. A Pontamat é de propriedade de Edelson Tupich, primo do vereador Roberto Mongruel.


