O servidor municipal de Assaí (Região Metropolitana de Londrina) Jorge Torquato Junior foi exonerado do cargo de secretário municipal de Saúde, cargo que ocupava desde 2007, por recomendação do Ministério Público (MP) do Paraná, encaminhada ao prefeito Luiz Mestiço (PSDB). Torquato Junior é investigado por improbidade administrativa porque teria, supostamente, se beneficiado financeiramente de uma parceria irregular com o Instituto Pró-Vida, contratado para gerir o hospital da cidade. Ele também está afastado das funções como servidor, desde segunda-feira, em atendimento ao pedido do MP.
Conforme a recomendação, assinada pela promotora de Justiça de Assaí, Ana Maria de Oliveira Santos, existem indícios de que os exames de raio-x feitos no hospital eram feitos em aparelhagem pertencente ao ex-secretário de Saúde. Para a promotora, essa ligação dele com o Pró-Vida "consiste, em tese, em favorecimento pessoal", porque "há fortes indícios de que se utilizou da máquina pública para auferir vantagens pessoais". A medida do MP tem o objetivo de evitar eventuais interferências de Torquato Junior nas investigações.
A apuração da suposta conduta irregular do servidor começou quando ele foi à Justiça pedir o desbloqueio dos bens do hospital. Por pendências trabalhistas, o bloqueio foi pedido pela própria Prefeitura de Assaí, no começo do mês de agosto. Torquato Junior, dono do equipamento de raio-x, tentou recuperá-lo e despertou a atenção do MP. O bloqueio, segundo a administração, continua. O prefeito Luiz Mestiço disse que também foi aberta uma investigação administrativa contra o servidor. "Pela apuração que vem sendo feita na promotoria, o secretário liberava o paciente para fazer exame, pagava pelo serviço que, na verdade, era feito no equipamento dele. Vamos apurar."
Procurado pela FOLHA, Torquato Junior, que não é médico, confirmou ser dono do raio-x, mas negou ter ficado com parte dos recursos, se beneficiado dos exames que eram feitos. "Não tenho nenhum contrato com o Pró-Vida. O equipamento é emprestado para uma clínica que presta serviços para o hospital. Eu não tinha renda nenhuma com isso." O ex-secretário afirmou que a contratação do Pró-Vida foi feita em 2006, "por meio de licitação, mas foi antes que eu assumisse a função". Ele informou que foi nomeado secretário de Saúde em 2007.
O prefeito confirmou que manteve todos os secretários da gestão anterior na sua administração, em razão de acordos políticos. "Tive o apoio da gestão anterior, e isso estava conversado, que todos ficariam. Mas eu não sabia de todas essas coisas", disse Mestiço, referindo-se às supostas irregularidades cometidas pelo aliado.
Jorge Torquato Junior também foi eleito vereador pelo PTB, mas estava licenciado para exercer o cargo de secretário. Logo após a exoneração, na segunda-feira, ele procurou a Câmara de Vereadores para assumir a cadeira. Segundo o presidente da Casa, Amarildo Aparecido Correa (PTB), "é um direito dele, até porque ele não está condenado". Amarildo confirmou que será aberta hoje uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), a partir de uma denúncia protocolada por um cidadão contra Torquato Junior.

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