Curitiba á- As divergências pessoais e políticas entre o governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), entrou ontem numa nova fase. Requião começou a se defender publicamente das acusações, feitas pela imprensa e citadas por Beto em entrevista à FOLHA, de suposto superfaturamento de pregão eletrônico para a compra de 29 mil aparelhos de televisão 29 polegadas que serão distribuídos em salas de aula na rede pública estadual de ensino. Beto também sinalizou para irregularidades e supostos desvios nos recursos de saneamento destinados para o litoral do Paraná. Ontem,
o secretário de Estado de Educação, Maurício Requião, fez a defesa do Palácio Iguaçu durante a reunião semanal do secretariado, transmitida pela rádio e pela TV Educativa.
Ele apresentou os projetos Paraná Digital e TV Paulo Freire como justificativas para o edital de licitação. A TV Paulo Freire funciona há um ano e está sendo retransmitida, via satélite digital B1, para 1,5 mil escolas. Outras 600 deverão instalar os equipamentos de recepção do sinal até abril. Por mês, são investidos R$ 50 mil na locação do sinal. Cinquenta por cento da produção é feita por profissionais de comunicação, professores e alunos do Paraná.
Para aperfeiçoar o conhecimento dos professores e auxiliar no conteúdo programático das escolas, o governo do Estado estaria agora investindo na compra dos televisores. Seria colocado um aparelho de televisão em cada sala de aula. Com isto, os professores poderiam apresentar imagens, vídeo e áudios coletados de forma digital para os alunos - sem precisar sair da sala de aula. O edital - segundo Maurício - previa que os aparelhos tivessem tela plana, 29 polegadas e entrada USB. Não achando o produto no mercado para venda, o governo teria feito consulta sobre possibilidades de fabricação do aparelho em três fábricas diferentes. O preço mais baixo apresentado teria sido usado como preço mínimo no pregão eletrônico.
Onze licitantes teriam apresentado oferta no pregão, auditado pelo Banco do Brasil. A vencedora, a fábrica da CCE, conseguiu a venda das unidades por R$ 860 cada. ''É uma ferramenta diferente de tudo o que tem no mercado. Ela nos dá um elenco de possibilidades de utilização. Com ela, o professora obterá audiovisuais que ele levará para sala de aula. Sejam materiais fotográficos, de televisão ou retirados da internet'', explicou o secretário. O edital previa que a cor fosse de tom diferente (o que baratearia o custo e evitaria o furto - por ser de fácil identificação pelo comprador). Dois controles serão entregues com cada aparelho de televisão (prevendo que um possa ser extraviado).
Maurício negou superfaturamento. Ele afirmou que não existe nada similar em televisão com tela plana no mesmo valor. ''Essa é uma tentativa de desmoralizar e desacreditar o imenso esforço de quem quer no Paraná uma educação pública de qualidade'', disse. Requião não quis falar com a imprensa. Saiu rápido após a reunião do secretariado. Durante a reunião, tornou a fazer críticas a Beto Richa e reafirmou as denúncias de desvio de dinheiro do tesouro estadual (do Departamento de Estradas de Rodagem) para pagamento de dívida de campanha do prefeito - que foi candidato ao governo em 2002.

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