Secretário de Fazenda cogita deixar cargo
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
Figurando como investigado no inquérito instaurado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para apurar corrupção e fraude na compra de uniformes escolares em 2011 e 2012 pela Prefeitura de Londrina, o secretário municipal de Fazenda, Lindomar Mota dos Santos, admite a possibilidade de deixar o cargo.
''Estou conversando com o prefeito sobre isso e vamos avaliar. Também vou conversar com minha esposa neste final de semana e provavelmetne na segunda-feira teremos uma definição'', afirmou, acrescentando, porém, que não se sente desconfortável no cargo. ''Eu me sentiria desconfortável se eu tivesse algum comprometimento.'' O secretário disse que seu compromisso inicial com o prefeito Joaquim Ribeiro (PSC) era permanecer no cargo 60 dias. ''Podemos abreviar isso. Não vejo nenhum problema em sair ou em ficar.''
O secretário prestou depoimento ontem de manhã ao delegado do Gaeco, Alan Flore, e convocou entrevista coletiva à tarde para explicar porque suspendeu o pagamento à empresa G8, em abril de 2011, quando ocupava o mesmo cargo, porém na administração do prefeito cassado Barbosa Neto (PDT), também investigado no inquérito. Santos disse ter disponibilizado seus sigilos fiscal, bancário e telefônico ao Gaeco.
Santos foi envolvido na investigação em razão da declaração da ex-secretária de Educação Karin Sabec Viana, de que o dono da G8, Marcos Divino Ramos, lhe confidenciou ter pago R$ 150 mil ao secretário para que ele liberasse pagamentos à empresa. Ramos está preso assim como outros três sócios de empresas que teriam se associado para fornecer orçamentos fraudulentos na compra de 2011, por carona, e fraudar a licitação de 2012. Ainda segundo a ex-secretária, a administração atrasava pagamentos com o objetivo de aumentar a propina.
O secretário disse que a retenção do pagamento durou dois meses, porém, negou que houvesse corrupção. ''Jamais vi essa pessoa'', afirmou, referindo-se a Ramos. Segundo ele, a suspensão do pagamento se deu no começo de fevereiro do ano passado porque havia ''comentários'' sobre a falta de qualidade dos uniformes. Disse ter encaminhado o procedimento de volta para as secretarias de Educação e Gestão Pública e somente pagou em abril, quando todos os atos foram convalidados pelos responsáveis. ''Não é função da Secretaria de Fazenda saber se a compra foi feita corretamente.''
Durante o período de retenção, o secretário disse que José Lemes, representante da G8, que está preso, o procurou por mais de 15 vezes. ''Eu o recebi duas vezes, mas de portas abertas e na presença de um funcionário da secretaria.''
Segundo o delegado Alan Flore, o depoimento dele foi ''altamente produtivo''. Quanto à afirmativa de Karin Sabec de que Lindomar teria recebido R$ 150 mil para liberar o pagamento às empresas, o delegado preferiu cautela. ''Não podemos fazer juízo de valor, até porque a secretária disse que esta foi uma informação que chegou a ela por um dos empresários.'' (colaborou Edson Ferreira)


