Curitiba - Menos de 24 horas após a Polícia Federal prender 18 pessoas acusadas de desviar pelo menos R$ 6,6 milhões do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná (IFPR), o secretário estadual Alípio Leal pediu exoneração do cargo. Ele estava à frente da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) desde janeiro de 2011, quando Beto Richa (PSDB) assumiu o governo do Paraná. Procurado pela reportagem, Alípio não foi encontrado.
O ex-secretário era diretor da Escola Técnica da UFPR (Universidade Federal do Paraná) em 2008, quando foi destacado para dirigir a criação do IFPR no Estado. Antes de ir para o governo, ocupava novamente a reitoria do Instituto Federal. Na década de 1980, Alípio Leal dividiu sua trajetória profissional entre o cargo de professor da Escola Técnica e dois mandatos consecutivos de vereador em Curitiba.
O pedido de exoneração foi aceito por Beto Richa e o Palácio Iguaçu não comentou a saída de Alípio ou confirmou a exoneração de José Carlos Ciccarino, também professor do IFPR, no dia anterior. Ciccarino foi diretor geral do Ensino à Distância do IFPR, gerente executivo do Tecpar Educação (instituto de pesquisa ligado à Seti) e, desde fevereiro deste ano, assessor comissionado da Seti. Os investigadores não citaram Alípio Leal entre os acusados do desvio de dinheiro, mas também não descartaram o envolvimento de diretores do IFPR no caso.
A Polícia Federal investiga contratos firmados pelo IFPR com duas Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) nos anos em que Alípio Leal e seu sucessor no cargo, Irineu Colombo, ocuparam a reitoria. Suspeita-se que a Agência Brasileira de Desenvolvimento Econômico e Social (Abdes) e o Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas para Otimização da Tecnologia e da Qualidade Aplicada (Ibepoteq) tenham direcionado serviços por não terem de se submeter à Lei das Licitações. Colombo foi afastado da direção do IFPR por 90 dias, pela Justiça Federal, enquanto as investigações continuam.

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