Secretário de Apucarana é acusado de peculato
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
Loriane Comeli <br>Reportagem Local 
O ex-vereador de Apucarana (Norte) Petrônio Cardoso teria desviado R$ 112 mil (valor não corrigido) da Câmara Municipal no período em que presidiu a instituição, entre 2003 e 2004. Juntamente com outras 11 pessoas, Cardoso - que hoje é o secretário de Governo na administração do prefeito Beto Preto (PT) - foi denunciado por peculato em ação criminal proposta na última quinta-feira pelo promotor Eduardo Augusto Cabrini. Segundo a ação, o secretário teria cometido o crime de peculato por 173 vezes em cinco diferentes fatos: contratação de funcionária fantasma; pagamento indevido de diárias em duas ocasiões; simulação de compras; e autorização para pessoas estranhas à Câmara para abastecer veículos particulares.
Além de Cardoso, são acusados na ação o vereador licenciado Alcides Ramos Júnior, que chegou a a ser preso este ano em razão de processo criminal por desvios na última legislatura e foi impedido de assumir o cargo na Câmara, e o então secretário administrativo da Câmara Rubens de Nadai. A esposa e o pai de Petrônio Cardoso também estão no polo passivo: teriam sido beneficiados com dinheiro desviado da Câmara de Apucarana. Tanto Ramos Júnior quanto os parentes de Cardoso (e os outros sete réus) teriam abastecido veículos particulares na conta do Legislativo, com autorização do então presidente e do secretário administrativo.
O maior desvio naquela legislatura, porém, foi identificado, segundo a denúncia, na simulação de compra de bens móveis e equipamentos de informática de cinco empresas que não existiam ou que tinham encerrado as atividades e, portanto, apresentando notas fiscais frias que somaram R$ 88,8 mil. A fraude consistia em fracionar as compras - todas tinham valores inferiores a R$ 8 mil - para dispensar a licitação e fazer a contratação direta com empresas de fachada. Na ação, o promotor ressalta que os bens ''adquiridos'' jamais foram entregues. Cardoso também teria simulado a contratação de uma servidora que, segundo a ação, jamais exerceu a função, além de ter pago diária de viagem oficial para a ''fantasma''.
Nadai, Ramos Júnior e seus advogados não foram localizados ontem. Cardoso, segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, somente vai se manifestar após ser notificado pela Justiça sobre a ação. O prefeito Beto Preto defendeu o secretário. ''Essas denúncias foram feitas no final de 2004 por nossos adversários políticos. De qualquer forma, espero que o Petrônio tenha condições de se defender, que lhe seja garantido o contraditório'', declarou o prefeito, lembrando que Cardoso foi seu vice nas eleições de 2004, em que foi derrotado. ''Não faço juízo de valor do processo, mas, garanto, que no meu governo, todos os gastos serão assinados por mim, pelo meu secretário de Fazenda e pelo procurador jurídico, dentro da maior lisura possível.''


