Com um discurso crítico contra a corrupção em todos os níveis, o novo secretário de Fazenda de Londrina, economista Francisco de Assis Simões, assumiu ontem o cargo, durante solenidade que lotou o gabinete do prefeito Jorge Scaff (PSB) e surpreendeu com sua primeira fala. ‘‘Tenho vergonha disso tudo que aconteceu em Londrina, não nasci aqui, mas amo esta cidade. Fico triste com o emporcalhamento que foi feito’’, afirmou Simões numa referência direta às irregularidades da administração do prefeito afastado Antonio Belinati (PFL). Além de Simões, tomaram posse também a nova secretária de Ação Social, Mitue Martins e o novo procurador do município, Arão dos Santos Neto.
Durante um longo discurso para uma platéia atenta, formada inclusive por secretários e assessores que trabalharam com Belinati, o novo responsável pela Fazenda demonstrou sua indignação com a política nacional. Simões fez questão de dizer que não acumula qualquer experiência na área pública, já que é professor universitário aposentado e atua como consultor de empresas. ‘‘Mas de que adianta a experiência frente ao que estamos assistindo no setor público?’’, questionou.
Simões citou nominalmente figuras que ocuparam cargos públicos e hoje são alvo de investigações, como o ex-presidente do Tribunal de Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, Nicolau dos Santos Neto, o ex-secretário da Presidência, Eduardo Jorge e até o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que está foragido da Justiça.
No caso de Londrina, afirmou Francisco Simões, o que ocorre na prefeitura atualmente, que sofre um déficit mensal de cerca R$ 3 milhões, é resultado de desvios. ‘‘Dinheiro tinha, mas tomou Doril, sumiu...’’, criticou. Em nome disso, afirmou o secretário, a proposta de trabalho que defende é o resgate da credibilidade. Virando-se para o prefeito Jorge Scaff, o secretário afirmou que aceitou o cargo com o compromisso de ter autonomia.
‘‘Não assumo para ser submisso, entro para colaborar, para que o dinheiro público possa ser respeitado’’, sublinhou o novo secretário. Ele comparou a corrupção generalizada com a Aids. ‘‘A corrupção é um vírus que mata a consciência; a pessoa vira um verme’’, desabafou.
Sobre novas substituições, o prefeito Jorge Scaff afirmou que as mudanças realizadas no primeiro escalão foram feitas para melhorar o desempenho da administração e evitou comentar eventuais modificações. Mas uma mudança nas diretorias da Sercomtel é dada como certa, inclusive com a saída do presidente da empresa, Rubens Pavan. Ele foi incluído na ação penal movida pelo Ministério Público (MP) que pede a prisão preventiva de Antonio Belinati e de oito ex-assessores e secretários municipais. No final de semana, em entrevista à Folha, o presidente da Sercomtel disse que o cargo pertence ao prefeito e que qualquer substituição dependeria somente de Scaff, além de uma consulta à direção da Copel, detentora de 45% das ações da telefônica.
Pavan retornou de férias ontem, mas não foi localizado na empresa à tarde. Uma reunião do Conselho Administrativo da empresa está marcada para amanhã. Qualquer modificação terá obrigatoriamente que ser apreciada pelo Conselho.

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