Secretário cai e general
Cardoso assume Senad
Agência BrasilSENTENÇAMaierovitch: ‘‘Nunca admiti pressão’’ como juiz
Isabel Braga
e Tânia Monteiro
Agência Estado
De Brasília
Menos de 24 horas após o afastamento de José Carlos Dias do Ministério da Justiça, Wálter Maierovitch – pivô da disputa pela coordenação das políticas de combate ao narcotráfico travada com a Polícia Federal – foi forçado a pedir demissão do comando da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). O nome do seu substituto ainda não está definido e, por enquanto, o ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, acumulará a função. Abalado, Maierovitch argumentou que deixou o cargo porque tem formação como juiz e não admite ser pressionado.
‘‘Eu tenho anos de carreira como juiz e nunca admiti pressão’’, afirmou o ex-secretário. ‘‘Não achei oportuno ficar; a luta do presidente contra o narcotráfico não pode parar e acho que ele precisa de outra pessoa (na secretaria)’’, acrescentou, negando-se a especificar quem o estaria pressionando e por que não seria mais oportuna sua permanência no governo.
A saída de Maierovitch já era dada como certa anteontem no Palácio do Planalto. Segundo interlocutores do presidente Fernando Henrique, a manutenção dele à frente da Senad ‘‘ficou insustentável politicamente’’.
Pela manhã, Cardoso foi ao Alvorada para reverter a saída do juiz, mas não obteve sucesso. Voltou, então, ao Planalto e convenceu Maierovitch a assinar uma carta de demissão. Na carta, o secretário gradece o apoio do general e de FHC, mas esclareceu que não recebeu qualquer comunicação do Ministério da Justiça ou da Polícia Federal sobre a operação policial na fronteira Brasil-Bolívia.
A demissão de Dias foi desencadeada depois que ele criticou Maierovitch, em nota oficial, por ter dado publicidade e prejudicado essa operação. Na nota, o juiz pondera que como não foi avisado da ação da PF, a secretaria ‘‘no âmbito das suas atribuições legais’’ decidiu promover, no próximo dia 22 de maio, no 3º Encontro da Comissão Mista Brasil-Bolívia, ‘‘para tratar de ações conjuntas nos campos da prevenção e tratamento, cultivos substitutivos e coordenação de repressão (ao narcotráfico) por meio de força-tarefa’’.
Em entrevista aos jornalistas, o juiz evitou criticar Dias. ‘‘Não vou falar de pessoas ausentes’’, disse. Ele não respondeu quando os jornalistas perguntavam se estava magoado com o presidente Fernando Henrique ou o general Cardoso. ‘‘Leia a nota’’, limitou-se a declarar. Maierovicht cancelou a viagem que faria pela Senad a Viena para participar de um evento das Nações Unidas.

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