O secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig, admitiu ontem, em Curitiba, que a suspensão do repasse das mensalidades para os sindicatos dos servidores estaduais, APP-Sindicato (professores) e Sindiservidores (outros segmentos), em vigor há 15 dias, foi motivada por questões políticas. Wahrhaftig disse que o corte do serviço prestado até então às duas entidades foi uma exigência da Assembléia Legislativa, que solicitou ação do governo neste sentido através de abaixo-assinado ‘‘com 50 assinaturas’’.
O objetivo da suspensão foi, de acordo com o secretário, ‘‘retaliar’’ o comportamento dos sindicalistas que atiraram ovos e moedas nos parlamentares, durante a votação que aprovou a Paranaeducação, empresa de direito privado que atua como serviço social autônomo de auxílio no gerenciamento do setor no Estado, em dezembro de 97. ‘‘A atuação desses sindicatos tem se baseado na truculência, e não dá para admitir práticas de pressão, que muitas vezes beiram à agressão física’’, justificou.
O secretário da Administração, Reinhold Stephanes Junior, diz que não vai revogar a resolução, pelo menos por enquanto. ‘‘Que a APP já vá procurando um banco para prestar este serviço (a cobrança das mensalidades). Porque nós não faremos mais’’, avisa. Stephanes Junior informa ter uma pesquisa interna que revela que ‘‘90% dos professores’’ não querem mais contribuir com mensalidades. O secretário confirma que a resolução tomada pela sua pasta não se estende às demais entidades atreladas ao governo.
As relações do governo Jaime Lerner com as entidades sindicais dos servidores não vão nada bem. Ramiro Wahrhaftig suspendeu reunião ontem com representantes da APP-Sindicato sob a alegação de que poderia haver ‘‘uma invasão da Secretaria de Educação’’. Segundo ele, o encontro poderia ser tumultuado por uma manifestação convocada pela entidade para acontecer na frente da SEED, com sede em Curitiba. ‘‘As salas são pequenas e se alguém bate em um vidro e se corta acidentalmente, acontece o que eles querem’’, sugeriu o secretário, que prometeu marcar nova reunião para o dia 26.
O Palácio Iguaçu distribuiu nota ontem afirmando que o Tribunal de Justiça do Paraná indeferiu liminar solicitada pelo Sindiservidores, pedindo a continuidade no desconto das mensalidades em folha. O gabinete do desembargador Dilmar Kessler, designado como relator do mandado de segurança, não confirmou a informação. De acordo o serviço de teleprocesso, prestado pelo TJ, o desembargador aguarda resposta de um ofício do governo, dando suas razões para a medida, para decidir se concede ou não a liminar.
A APP alega que, sem o dinheiro das mensalidades, terá de fechar as portas. A entidade contabiliza que os quase R$ 300 mil mensais arrecadados são destinados ao pagamento dos 120 funcionários em todo o Estado e sua respectiva manutenção. Para seus representantes, ‘‘o governo Lerner está se aproveitando’’ do ‘ressentimento’ da Assembléia para manter a suspensão do fornecimento do serviço. A APP já está preparada para iniciar campanha de conscientização dos professores sobre a necessidade da contribuição.

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