Secretário abre hoje cofre misterioso
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quinta-feira, 25 de outubro de 2001
Lino Ramos<br> De Londrina 
O secretário de Fazenda de Londrina, Paulo Bernardo, deve desvendar hoje um ''mistério'' de 58 anos. Um cofre, utilizado pela prefeitura na década de 40, na administração do prefeito Miguel Blasi, será aberto por uma servidora municipal. A prefeitura soube do móvel há 10 dias, quando foi informada pelo Banestado de que havia em poder do banco as chaves e o segredo de um cofre da prefeitura, entregues ao banco no dia 8 de outubro de 1943 pelo próprio Miguel Blasi.
A abertura do cofre, que mede aproximadamente 1,70m por 1,20, deve pôr fim ao boato surgido na prefeitura de que o móvel estaria ''cheio de ouro''. Na verdade, esclareceu Paulo Bernardo, o objeto deixou de ser um guarda-valores há 20 anos e já foi substituído por outros dois modelos.
O prefeito Blasi teria encaminhado uma cópia da chave ao banco por medida de segurança. ''Naquele tempo, os pagamentos eram manuais, havia um trânsito de valores muito grande na prefeitura. Hoje em dia, raramente alguém vem à prefeitura fazer um pagamento em dinheiro'', disse o secretário - que pretende enviar o objeto para o Museu Histórico Padre Carlos Weiss.
Se não encontrar um tesouro inesperado, a secretaria continua fazendo as contas sobre os gastos com a folha de pagamento e a receita corrente líquida do município. O objetivo é encontrar mecanismos para se enquadrar na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Até o final de 2002, os gastos com pessoal não poderão superar 54% do que a prefeitura arrecada.
Segundo Paulo Bernardo, o Tribunal de Contas (TC) do Estado reavaliou seu entendimento de que as receitas da Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsmel) não poderiam ser calculadas como receita corrente líquida da administração. Ele disse que somente a parte previdenciária (R$ 20 milhões) ficarão de fora desse cálculo. Porém, a arrecadação da farmácia da Caapsmel e do plano de saúde (R$ 18 milhões) continuam a ser computadas como receita corrente liquida.
Com isso os gastos com a folha - que pulavam para 72% pelo entendimento do TC - voltam para uma média de 65%. Bernardo acredita que o prefeito Nedson Micheleti (PT) precisará fazer uma reforma administrativa para atingir so 54% exigidos pela LRF. ''Acho que tudo caminha para isso, teremos que fazer ajustes e adequações'', afirmou.


