Secretarias podem ser fundidas
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quarta-feira, 11 de julho de 2001
Elisa Marilia Carneiro Maria Duarte De Curitiba 
Os comentários extra-oficiais de que a reforma administrativa prometida há cerca de três meses pelo governador Jaime Lerner (PFL) atingiria a área da Cultura estão assustando a secretária Monica Rischbieter. Tanto que ela nega-se a falar sobre o assunto.
A secretaria permanece usando a sigla Seec (hoje definida pelo Palácio Iguaçu como Secretaria de Estado da Cultura, mas antes a mesma sigla servia para Secretaria de Educação e Cultura). Atualmente, a Educação é uma pasta separada, sob o comando de Alcyone Saliba. As especulações indicam que a Cultura poderia fundir-se com a área de Turismo (incorporada pela Indústria e Comércio desde novembro do ano passado) ou Esportes. A Secretaria de Esporte e Turismo (chefiada por Segismundo Morgenstern) foi extinta no ano passado e agora a autarquia responsável pelo esporte, a Paraná Esporte, está sob o comando do secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho.
A pasta da Cultura era, até 1979, um departamento da Secretaria da Educação. Naquele ano, foi transformada em Secretaria da Cultura e Esporte. Em 1987, o Esporte foi separado.
O enxugamento da máquina administrativa está sendo preparado pelo próprio governador. Além de reduzir despesas, a reforma servirá para acalmar os ânimos dos deputados aliados, que reivindicam mudanças profundas na estrutura para continuar dando sustentação política ao governador. Na avaliação dos deputados, Lerner precisa tomar medidas drásticas se quiser retomar parte de sua popularidade, prejudicada pelo projeto de privatização da Copel. A base governista está fragilizada, entre outros motivos, por causa da falta de recursos do Estado.
As alterações que incluirão cortes, fusões e um Plano de Demissões Voluntárias (PDV) devem diminuir o número de secretarias de 27 para 12 ou 14. De acordo com o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, não há indícios de que a Cultura possa ser extinta ou fundida a outra pasta. A reforma administrativa ainda está na cabeça do governador. Há sérias ponderações e estudos a serem feitos, observou. Lerner pode anunciar a reforma em agosto.
Segundo Campêlo, não adianta fundir os trabalhos de qualquer secretaria sem que isso reverta em economia para os cofres públicos. Os secretários foram orientados a só dar continuidade a projetos prioritários. Pelos cálculos do primeiro secretário da Assembléia Legislativa e ex-líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), se o número de secretarias cair de 27 para 12 a economia mensal pode chegar a R$ 15 milhões.
O governador precisa pesar ainda outros fatores para consolidar as modificações. Segundo fontes ligadas ao Palácio Iguaçu, o secretário do Planejamento, Miguel Salomão, não estaria animado a continuar no governo. A pasta do Emprego e Relações do Trabalho está sob o comando do diretor-geral desde abril, quando o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, anunciou sua exoneração alegando que pretende concorrer à presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI).


