Secretarias ignoram problemas apontados em auditorias
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sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Loriane Comeli<br> Reportagem Local 
Secretarias e órgãos da Prefeitura de Londrina não costumam responder à maior parte das auditorias e apontamentos de irregularidades feitos pela Controladoria-Geral do Município (CGM), órgão de controle interno e fiscalização. A informação é do controlador-geral João Carlos Barbosa Perez que, recentemente, editou portaria para criar em cada órgão um grupo de trabalho encarregado de elaborar respostas às auditorias.
A falta de retorno impedia saber se as recomendações da controladoria foram seguidas; mas, tudo indicava que não, uma vez que muitos problemas apontados nos relatórios dos controladores voltava a ocorrer. "Parte daquilo que recomendávamos que não fosse feito continuava ocorrendo", afirmou Perez. "Com esses grupo de trabalho, pretendemos que os relatórios sejam respondidos e que os problemas não voltem a se repetir."
Os grupos de trabalho são formados por três servidores de cada secretaria com atribuição de analisar por completo o relatório da auditoria, responder aos órgãos competentes e fiscalizar para que os problemas encontrados, como falhas em processos licitatórios, não se repitam.
Para o presidente do Observatório de Gestão Pública (OGPL), Fábio Cavazotti, trata-se de um problema grave. "Era gravíssimo. As secretarias ignoravam os problemas apontados e não adotavam qualquer providência; nada acontecia. Era uma anomalia", criticou. "O ponto positivo é que isso começa a ser revisto."
Desde que o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) editou o decreto 169/2015, em fevereiro, determinando a auditoria de todos os contratos de prestação de serviços e fornecimento de insumos de natureza continuada firmados a partir de 2009, a CGM conseguiu concluir auditorias em sete contratos, como compra de alimentos merenda, frota de veículos, varrição e central de tratamento de resíduos.
Kireeff exigiu a auditoria após a constatação, pela CGM, de 14 irregularidades no contrato de alimentação para a Maternidade Municipal e outras unidades de saúde e que sua administração renovou aquele contrato.
O controlador estima que sejam pelo menos 30 contratos de valores elevados a serem auditados. "Sete não é um número grande, mas são auditorias complexas e temos apenas três auditores", comentou. Perez lembrou que o concurso previsto para novembro abriu três vagas para auditores institucionais e que o objetivo é chegar a pelo menos 15 auditores.


