Secretariado
O período é de especulação, nada está 100% confirmado, mas aos poucos a equipe do governador eleito Roberto Requião (PMDB) começa a tomar forma. Cargos estratégicos já têm dono e ficarão com o PMDB. Salvo alteração de última hora, a Secretaria da Fazenda estava entregue a Heron Arzua; Educação, a Maurício Requião; Casa Civil, ao deputado estadual reeleito Caíto Quintana; Desenvolvimento Urbano, a Renato Adur; Comunicação, ao publicitário Airton Pisetti; Obras, ao deputado estadual reeleito Waldyr Pugliesi; e Transportes ao vice-governador eleito Orlando Pessuti. Todos do PMDB. Para o PT, partido que integrou a coligação de Requião no segundo turno, foi oferecida a Agricultura para o deputado federal eleito Jorge Samek e a futura Secretaria do Trabalho e da Assistência Social, resultado da fusão das secretarias do Trabalho e da Criança, para Padre Roque Zimmermann. As demais pastas ainda estão sendo discutidas. Cultura, Esporte, Administração, Planejamento, Ciência e Tecnologia, Saúde, Meio Ambiente, Segurança e Indústria e Comércio ainda não têm titular.
Drible
Desde que elegeu-se, em 27 de outubro, Requião tem recebido uma penca de pedidos, recados e currículos. Todos sedentos por indicações ou acomodações. O novo governador, entretanto, tem se valido da fama de temperamento difícil para acabar com lobbies. Só não conseguiu livrar-se ainda da pressão de uns como Paulo Pimentel, um dos alicerces financeiros de sua campanha.
Pró-forma
A mesma funcionária que ofereceu o nome do marido para ''esquentar'' o pagamento irregular de um estagiário, conforme consta no processo criminal que apura irregularidades na Imprensa Oficial durante a gestão de Ênio Malheiros, denunciou no último dia 6 ao Ministério Público que as licitações feitas na Imprensa Oficial eram apenas pró-forma.
Amadorismo
Num dos casos relatados pela funcionária, uma mesma empresa apresentou três propostas com nomes diferentes, contendo os mesmos erros de português. Ela disse ainda que notou movimento excessivo de correspondências entre agosto e outubro de 1998, verificando depois que se tratava de material de campanha do atual vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), ao cargo de deputado estadual. Beto disse à Folha que desconhece o fato e negou que tenha utilizado a Imprensa Oficial na campanha.
Reflexo político
O Ministério Público se baseou numa sindicância do próprio Estado para investigar. A sindicância do governo do Estado foi instaurada pelo então secretário de Justiça Pretextato Taborda Ribas. A decisão de Tato Taborda abriu uma crise entre o governador Jaime Lerner (PFL) e o ex-governador José Richa (PSDB), padrinho político de Ênio Malheiros, que era o responsável pela Imprensa Oficial no período em que as irregularidades teriam ocorrido. Ênio Malheiros morreu em julho deste ano e por isso não chegou a ser denunciado pelo Ministério Público.
Memória
Os fatos, investigados pela 6 Vara Criminal de Curitiba, aconteceram entre 1996 e 1999. Onze pessoas integram a lista dos envolvidos. As irregularidades detectadas até o momento vão desde superfaturamento até uso da máquina.
Novela
O caso da venda de alvarás por funcionários da Prefeitura de Curitiba não deve ter solução tão cedo. A sindicância apontou 15 pessoas envolvidas, que estão respondendo a processo administrativo. O caso é investigado criminalmente na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio Público, mas o inquérito está atualmente na Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público.
Análise
O promotor Fábio Guarani diz que na semana que vem começa a analisar os cinco volumes preparados pela delegacia, para juntar ao volume do próprio Ministério Público. A idéia, segundo ele, é que não sejam repetidos procedimentos investigatórios e depoimentos.
Propina
O inquérito foi aberto após uma denúncia feita por um ex-funcionário do setor de protocolo da prefeitura, Orlando Andrade Júnior. Segundo ele, era comum o pagamento de propinas para facilitar ou dificultar a liberação de alvarás para a abertura de estabelecimentos comerciais, como postos de combustível. O valor pago variava de acordo com a importância do estabelecimento a ser aberto.
Desdobramento
Andrade Júnior foi preso por tentativa de extorsão e sequestro. Durante investigações, o nome do ex-secretário de Urbanismo, hoje chefe de Gabinete, Carlos Carvalho, foi mencionado por testemunhas, que garantiram que ele foi avisado do esquema. O nome de Carvalho não está entre os 15 que respondem ao processo administrativo, mas está incluído nas investigações criminais.
Perguntinha
A Ilha das Cobras vai ser o Chapéu Pensador do governo Roberto Requião?
Leandro Donatti e sucursais
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