Brasília - Desde 2000, a Secretaria Federal de Controle (SFC) já havia recomendado a rescisão do contrato entre a empresa de turismo Voetur, o Ministério das Relações Exteriores e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em meio às primeiras evidências de fraude. Contratada em licitação, em 1997, para fornecer passagens aéreas para todos os projetos financiados pelo PNUD no Brasil, a Voetur está sendo investigada em inquérito do Ministério Público sob a acusação de faturar a emissão de trechos cancelados, emitir bilhetes falsos e descontar pagamentos com autorização forjada da fonte pagadora.
O golpe até agora estimado pelo Ministério Público foi de cerca R$ 30 milhões em cinco anos da Conta do PNUD. Mas o dano total ao erário público pode chegar a R$ 100 milhões porque a Voetur mantém contratos com vários outros ministérios e empresas estatais, sobre os quais o inquérito vai realizar um pente fino. Em nota, a Controladoria Geral da União confirmou indícios de fraudes.
Um levantamento feito no Sistema de Administração Financeira da União (Siafi) pelo gabinete do deputado distrital Augusto Carvalho mostra que a União despejou R$ 205 milhões nos cofres da Voetur entre 2002 e junho de 2004. Em 2002, último ano do governo Fernando Henrique, o Grupo Voetur, que inclui seis outras empresas faturou R$ 103,3 milhões do governo federal.

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