A secretária de Saúde de Sertanópolis, Vera Oporto, disse que o abaixo assinado entregue ao Ministério Público com críticas à sua gestão foi elaborado por médicos que tiveram interesses contrariados e populares que não sabiam o que estavam assinando. ''Os médicos ficaram descontentes porque tentei impedir que eles cumpram apenas três horas de expediente por dia, sendo que o contrato menciona oito horas.''
Vera Oporto negou que haja atraso no pagamento de salários, mas reconheceu que o telefone do hospital chegou a ser cortado por falta de pagamento. ''Eu desconhecia isso. Depois que li na Folha, pagamos a fatura''.
Segundo Vera Oporto, a reclamação sobre nepotismo é infundada. ''Nepotismo para mim é receber salário e ir embora, ou colocar a família toda, o que não é o caso. O prefeito precisava de uma profissional com conhecimento administrativo para resolver o caos que havia, e eu entendo de documentação. Nada melhor que a esposa para ajudar.''
O clínico geral Fernando Borges, um dos autores da denúncia contra a secretária de Saúde de Sertanópolis, Vera Oporto, pediu demissão na semana passada. Além dele, o médico João Casanova, que também assinou o documento entregue ao MP, pediu desligamento do cargo de diretor clínico do Hospital São Lucas.
''Não havia condição de continuar. O salário do mês passado atrasou 20 dias e o desse mês ainda não saiu'', disse Borges à Folha. Ele também rechaçou a acusação de que os médicos não cumprem o expediente. ''Eu trabalhava das oito da manhã às cinco da tarde, às vezes até mais. Além disso, ela nunca falou nada. Se fosse verdade, por que não tomou as providências?'', indagou.
As denúncias contidas no abaixo assinado estão sendo investigadas pelo Ministério Público e 17 Regional de Saúde. (F.C.)

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