Curitiba - A passagem de Luiz Inácio Lula da Silva por Curitiba nessa quarta-feira (13), quando ocorreu o segundo depoimento do ex-presidente ao juiz federal Sergio Moro no âmbito da Operação Lava Jato, transcorreu sem problemas. Segundo balanço apresentado hoje pelo secretário de Estado da Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, não houve ocorrências diretamente ligadas às mobilizações pró e contra Lula. O interrogatório é relativo à ação penal em que o petista é réu por suposto recebimento de propinas da empreiteira Odebrecht.

Uma pessoa que estava próxima à Justiça Federal (JFPR), no bairro Ahú, local da oitiva, acabou presa, entretanto, porque já havia contra ela um mandado em aberto pelo crime de tráfico de drogas. Outro homem foi encontrado morto, também nas imediações. De acordo com o chefe da pasta, após perícia da Polícia Científica constatou-se que a origem do óbito foi um ataque cardíaco. O Corpo de Bombeiros atendeu ainda um manifestante de 65 anos do grupo de apoio ao ex-presidente, que desmaiou. Ele foi medicado e liberado em seguida.

"Já tínhamos aprendido bastante no evento anterior e o número menor de manifestantes facilitou os protocolos de trabalho. Houve a integração entre todas as instituições envolvidas e, assim, aprimoramos e tivemos uma operação com muito sucesso, sem nenhuma intercorrência, tanto em relação aos manifestantes quanto na ação da Justiça", afirmou Mesquita. "É preciso destacar também que os movimentos favoráveis ou não ao ex-presidente cumpriram rigorosamente o que foi compromissado, o que contribuiu para que não houvesse nenhuma ocorrência", completou.

Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), três ônibus foram retidos por desconformidade na documentação. "Já tínhamos dito anteriormente que as nossas polícias rodoviárias, tanto Estadual quanto Federal, não se furtariam de exercer sua atividade policial de revista nos ônibus", comentou Mesquita. Sobre o custo da operação, denominada Civita 2, ele contou que ainda serão levantados, mas destacou que o que houve foi um "investimento em segurança pública". "Projetamos ser proporcionalmente a metade do investimento anterior", resumiu.

Na primeira oitiva de Lula a Moro, em maio, foram destacados quase três mil policiais de todas as forças de segurança. O efetivo na época foi calculado com base no número de manifestantes informado que viria para a capital paranaense. Desta vez, foram 1.226 agentes, sendo 916 policiais militares, 50 federais, 60 rodoviários, 100 guardas municipais da capital paranaense e outros 100 da Setran (Secretaria de Trânsito de Curitiba). A PM estimou em aproximadamente dois mil o número de militantes e em 60 o de coletivos que vieram para a cidade.

Segundo Mesquita, não houve necessidade de deslocar oficiais do interior do Paraná. "Foram usados os efetivos administrativos de Curitiba e Região Metropolitana e da Academia do Guatupê, bem como o emprego de apenas uma aeronave", relatou. "Ninguém faz segurança sozinho. Temos herdado desde antes da Copa do Mundo de 2014 toda essa estrutura e harmonia de trabalho. Houve humildade e seriedade entre as instituições", elogiou o delegado da PF Renato Lima.

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