Secretaria manda apurar denúncia contra delegado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de outubro de 2001
Luciana Pombo<br> De Curitiba 
A Secretaria de Segurança Pública designou ontem o delegado Annibal Bassan Júnior, diretor da Escola de Polícia e representante do Conselho da Polícia Civil, para acompanhar as denúncias de tortura contra o corregedor Adauto Abreu de Oliveira. As denúncias foram protocoladas anteontem pela Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) com base nos depoimentos de supostas testemunhas da tortura que teria acontecido na quarta-feira, no 1º Distrito Policial de Curitiba.
O vendedor ambulante Alexandre Almeida Barros, de 29 anos, condenado por furto em São Paulo e indiciado em inquérito por tráfico de drogas, foi preso e encaminhado ao distrito após uma tentativa de assalto. O delegado do distrito, Fauze Salmen, candidato à presidência da Adepol, disse que o corregedor foi ao local e pediu para falar com Barros numa sala reservada. Gritos teriam sido ouvidos por presos, investigadores e delegados de polícia. ''O preso gritava que não queria ser espancado'', afirmou Salmen.
Adauto conta uma versão diferente. Ele teria sido chamado para acompanhar o caso, já que envolvia um policial da corregedoria. Ao verificar o auto de flagrante, teria verificado erros, como a ausência do depoimento do preso. Ele teria pedido então para que o preso fosse apresentado e falasse em cartório. ''Ele foi levado até mim com as mãos algemadas para frente. Começamos a discutir e ele veio tentar me agredir. Eu dei um tapa no rosto dele. Dois policiais meus entraram na sala e jogaram ele para o armário. Foi quando ele começou a gritar para que não batêssemos nele'', relatou.
O delegado classifica as acusações de tortura como uma simulação. ''Foi uma armação classista de alguém que disputa um cargo na Adepol'', salientou. Adauto disse que irá abrir ações cíveis e criminais contra Salmen por calúnia e difamação. Ontem, ele apresentou à imprensa um laudo do Instituto Médico Legal (IML) comprovando que nenhuma lesão corporal foi detectada no preso.
As denúncias contra o corregedor causaram mal-estar na Polícia Civil, mas o secretário de Segurança, José Tavares, nega que haja crise. Ele reconhece que o clima está acirrado por causa das eleições da Adepol, que serão realizadas hoje. Mas garantiu que não vai entrar na briga entre os dois concorrentes, Fauze Salmen e Clóvis Galvão.


