Secretária de Saúde confirma ingerência de primeira-dama
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quinta-feira, 14 de julho de 2011
Loriane Comeli <br>Reportagem Local 
Perante a juíza da 3 Vara Criminal, a secretária Municipal de Saúde, Ana Olympia Dornellas, afirmou que a mulher do prefeito Barbosa Neto (PDT), Ana Laura Lino, exercia clara influência na secretaria.
Ana Olympia foi arrolada como testemunha de acusação pelo Ministério Público na ação penal que denuncia o esquema deflagrado na operação Antissepsia pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), envolvendo o Instituto Gálatas e agentes municipais em corrupção e desvio de dinheiro. Diante dos réus e advogados que acompanhavam a segunda audiência do caso a secretária afirmou que demitiu três técnicos da equipe de seu antecessor, Agajan Der Bedrossian, durante a ausência dele por ordem direta de Ana Laura.
''Ela (Ana Olympia) disse de maneira taxativa que num período em que ela exerceu temporariamente o cargo de secretária, durante as férias de Agajan, foi chamada pelo secretário Marco Cito (que ocupava a pasta de Gestão Pública) e pela mulher do prefeito e que ambos determinaram que ela exonerasse três servidores de cargos comissionados'', relatou o promotor Cláudio Esteves ao final da audiência. Os dois justificaram o pedido de exoneração por ''problemas no comportamento administrativo'' de tais servidores.
Ouvido na segunda-feira, Marco Cito negou que Ana Laura estivesse presente na reunião. ''Vamos pedir uma acareação entre a primeira-dama e Marco Cito'', disse o advogado André Cunha, que defende o Gálatas e o empresário Juan Monastério.
Esteves afirmou que diante das declarações inéditas de Ana Olympia - ela havia negado a interferência de Ana Laura na Secretaria de Saúde - poderá solicitar a oitiva dos três servidores demitidos, já que um dos réus colaboradores da investigação, Bruno Valverde, presidente do Instituto Atlântico (outra entidade denunciada pelo MP), teria dito que alguns funcionários da Secretaria de Sa© úde eram mais rígidos com relação à prestação de contas dos institutos.
Ana Olympia deixou o Fórum sem conversar com a imprensa. Seu advogado, Paulo Nolasko, continuou negando a interferência da primeira-dama na Saúde. ''Não existiu nada disso'', afirmou. Questionada se não seria o caso de deixar o cargo de secretária diante de tanta pressão, Ana Olympia manteve-se calada e o advogado retrucou: ''Não permanecer (no cargo) é que é pior: deixar a prefeitura à disposição...''
Ana Laura Lino foi arrolada como testemunha pelo MP, mas não compareceu à audiência. Seu advogado solicitou à juíza - que deferiu o pedido - para que ela não prestasse depoimento já que é investigada no caso Atlântico e suas declarações neste processo poderiam prejudicá-la no outro caso. O promotor deve pedir reconsideração da juíza. A FOLHA não conseguiu manter contato com a primeira-dama ou com seu advogado na noite de ontem. O prefeito Barbosa Neto tem constantemente negado ingerência de sua mulher na Secretaria.
Das 20 testemunhas arroladas pelo MP, oito já foram ouvidas. Ontem, por falta de tempo, oito foram dispensadas e a audiência foi remarcada para 4 de agosto; duas testemunhas serão ouvidas por carta precatória em outra Comarca; uma não foi intimada. A ação do Gálatas envolve 15 réus. Quatro respondem o processo separadamente Todos respondem pro de formação de quadrilha, estelionato, peculato e corrupção.


