A secretária Municipal de Educação, Karin Sabec, e o secretário de Governo, Marco Cito, prestaram esclarecimentos ontem à Câmara de Vereadores sobre a aquisição de livros ''Vivenciando a Cultura Afro-brasileira e Indígena'', da editora Ética. O material custou R$ 600 mil e foi adquirido pelo município sem licitação.
Por quase três horas os secretários foram questionados pelos membros do Legislativo acerca do processo da compra dos livros, inclusive chegando a sugerir que todos os volumes fossem substituídos integralmente e que o dinheiro fosse devolvido aos cofres públicos. A secretária prestou alguns esclarecimentos, porém afirmou que só deve apresentar uma posição oficial após a conclusão da sindicância.
Karin chegou a atribuir à imprensa a responsabilidade sobre a projeção do caso e tentou minimizar a gravidade da situação. Mesmo diante de todos os questionamentos levantados pela Casa, Karin afirmou que ''a imprensa é quem qualificou a coleção como racista e imprópria''.
O secretário de Governo, Marco Cito, defendeu o processo de compra dos livros e afirmou que a inexigibilidade de licitação está de acordo com as previsões legais. ''É preciso distinguir o processo de compra da questão do contéudo do livro. O processo de compra está totalmente correto. O que há é uma discussão a respeito do conteúdo'', afirmou.
Foram apresentadas denúncias de que o material, além de conter erros de português e conceituais, apresenta um conteúdo de cunho supostamente racista. Após intervenção do Ministério Público, que analisou o material, todos os volumes foram recolhidos das escolas no município.
A secretária afirmou que se sente vítima diante de toda essa situação e declarou que será aberta uma sindicância para apurar possíveis irregularidades. ''A sindicância vai ser feita na Secretaria de Educação para que a gente analise o que aconteceu em todo o processo da compra dos livros. Precisamos entender onde foi que o erro começou. Eu fiquei sabendo de toda essa situação por meio da imprensa'', afirma. Karin voltou a afirmar que os livros entregues pela editora não são os mesmos autorizados para a compra pelo município.
Sobre o conteúdo Cito declarou que a prefeitura em nenhum momento afirma que vai continuar utilizando a coleção e não descarta a possibilidade de que os livros sejam devolvidos à editora. ''Nós atendemos totalmente a recomendação do Ministério Público, que era de recolher esses livros. Nunca foi dito que a gente vai ficar com esse material se o conteúdo não for aprovado. Nós ainda podemos pedir o dinheiro, podemos pedir a reedição'', declarou.

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