Secretária acusada de desvio deixa cargo
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quarta-feira, 11 de julho de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
A chefe regional da Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), em Cascavel, Gema Fontanta, principal acusada no suposto esquema de desvio de verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), decidiu pedir afastamento do cargo. Ela justificou que não se sentiria confortável em continuar no cargo e ao mesmo tempo acionar na Justiça a reitora afastada da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Liana Fuga. Foi Liana quem apresentou a denúncia contra Gema.
Ainda não foi definido o prazo do afastamento de Gema, que pode se estender por até 90 dias. Na notícia-crime apresentada semana passada à Procuradoria da República em Cascavel, Liana acusou Gema de tentar desviar R$ 1 milhão, de um total de R$ 2,5 milhões que seriam destinados pelo FAT à Unioeste. Caso não aceitasse a proposta, Gema teria dito que Liana Fuga seria afastada do cargo.
Ontem, o secretário estadual do Emprego Newton Sérgio Grein, ouvido por telefone pela Folha, disse, em Curitiba, que a reitora afastada está mentindo quando afirmou que seriam repassados R$ 2,5 milhões do FAT para a Unioeste neste ano. Segundo ele, o montante previsto para a instituição em 2001 é de R$ 399.260,11. Em primeiro lugar, não existe o volume de recursos informado no processo. Além disso, o escritório regional da Sert não gerencia recursos, o que impede o desvio.
Grein explicou que os contratos do FAT são assinados em separado e indicam a finalidade de sua aplicação. Ele acrescenta que após passarem pelo escritório regional, os projetos são avaliados com critérios técnicos e previamente analisados pelos diretores da secretaria. Só fazemos pagamentos com fatura previamente comprovada, o que impede a realização de cursos fantasmas, como foi sugerido, afirmou. Nós entendemos que as declarações feitas pela reitora não condizem com a realidade.
De acordo com o secretário, além dos quase R$ 400 mil previstos através do FAT, outros projetos estão sendo criados para capacitação de servidores públicos e de funcionários do Hospital Universitário. Mas, segundo ele, esses projetos não podem ser incluídos na verba informada porque ainda não tiveram seus valores definidos. Grein afirmou estar à disposição do Ministério Público para fornecer qualquer informação necessária para investigação das denúncias.
O delegado-executivo da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, Sinomar Maria Neto, informou ter recebido ontem a documentação repassada pela Procuradoria da República em Cascavel para abertura de inquérito. Ele nomeou o delegado Cleiton Eustáquio Xavier para presidir as investigações sobre as denúncias feitas por Liana. As investigações devem começar ainda esta semana. A Folha tentou entrar em contato com Liana ontem, mas ela não foi encontrada. Liana foi afastada em fevereiro por suspeita de fraude em concurso na Unioste.


