Secom de Gushiken tinha mais poder nos Correios
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quarta-feira, 13 de julho de 2005
Folhapress 
Brasília - O ex-presidente dos Correios Airton Dipp confirmou, ontem na CPI Mista dos Correios, que a Secom (Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica), subordinada a Luiz Gushiken, tinha maior participação na comissão de licitação de contratos de publicidade do que a própria estatal.
Conforme decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os Correios teriam o direito a indicar dois integrantes da comissão, o Ministério das Comunicações outro participante e a Secom mais dois. Dipp confirmou que os editais tinham maior participação dos técnicos da Secretaria de Comunicação do que de funcionários dos Correios. ''Os editais foram feitos em maior parte pela Secom'', afirmou Dipp em depoimento à comissão. A participação da secretaria seria mais efetiva nos contratos que superassem R$ 50 mil.
Uma dessas licitações, que teve maior participação da Secom, culminou no contrato da agência de publicidade SMPB, de Marcos Valério, apontado como sendo um dos operadores do ''mensalão'' e avalista de dois empréstimos feito ao PT. É nessa comissão de licitação, de acordo com o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), estaria Marco Antônio da Silva, diretor de eventos da Secom, casado com Telma dos Reis, que, por sua vez, trabalhou para uma das empresas de Marcos Valério.
Conselho de Ética - O ex-diretor de Tecnologia dos Correios Eduardo Medeiros apresentou ontem uma versão conflitante com a dada por Silvio Pereira no que diz respeito ao papel do ex-secretário-geral do PT no loteamento de cargos na esfera federal. Medeiros, em depoimento de quase três horas no Conselho de Ética da Câmara, afirmou que tratou da composição da diretoria dos Correios em uma reunião com Pereira em um hotel de São Paulo logo após a entrada do PMDB na estatal, em 16 de março de 2004. Pereira era o responsável pela divisão de cargos entre aliados, apesar de não ter mandato nem cargo no governo.
A negociação ocorreu pouco mais de três meses após 16 de dezembro de 2003, que é a data apresentada por Pereira como sendo o último dia em que ele exerceu a função de lotear o governo. ''Participei com o (ex-presidente do PT, José) Genoino e o (ex-tesoureiro do PT) Delúbio (Soares) da nomeação de cargos para o governo até o dia 16 de dezembro de 2003. De lá para cá, não participei mais de nenhuma negociação sobre cargos'', declarou Pereira à reportagem em 29 de maio.
Ontem, Medeiros apresentou outra versão. ''Entrei em contato com ele (Pereira) logo após a entrada na presidência de João Henrique (por indicação do PMDB), em março ou abril de 2004. Queria saber se haveria mudança na diretoria, e ele era quem coordenava a divisão dos cargos do governo'', declarou o ex-diretor ao Conselho.
Além dessa conversa com Pereira, afastado na semana passada da direção petista, houve outro encontro, de acordo com Medeiros. Teria sido pessoalmente, no início de 2003, em um restaurante em São Paulo, quando o ex-diretor teria se apresentado ao petista.
Há cerca de um mês e meio, o então secretário-geral também teria telefonado a Medeiros para conversar a respeito de uma reportagem da revista ''Veja'' com denúncias de corrupção nos Correios. Durante todo o depoimento, o ex-diretor deu versões desencontradas a respeito de sua indicação para o cargo de diretor de Tecnologia.
Confrontado com reportagem de ontem da ''Folha de S.Paulo'' a respeito de seu depoimento na CPI dos Correios, em que admitiu a nomeação política, chegou a dizer que a negava. Em seguida, no entanto, ele afirmou que Pereira pode ter trabalhado nos bastidores por sua indicação, mas disse que, se isso foi feito, era sem seu conhecimento.


