Se reeleito, FHC terá de esperar fim do pleito para compor governo
A pretensão do presidente Fernando Henrique Cardoso de começar seu segundo governo no dia 5 de outubro, logo depois da vitória nas urnas em primeiro turno garantida pelas pesquisas, já foi abandonada. Esse desejo compartilhado com integrantes de sua equipe ministerial, desde o início do ano, não será possível por culpa de seus próprios aliados. Enquanto 80% do quadro eleitoral ficará definido no dia 4 de outubro, vários Estados só irão conhecer seus governantes depois de 25 de outubro, data do segundo turno das eleições.
Como não poderá pensar em composição de um ministério renovado sem conhecer os futuros governadores de pelo menos nove Estados - onde aliados do presidente avançarão o segundo turno numa disputa acirrada entre si -, Fernando Henrique ficará refém da surpresa que o segundo turno lhe promete. Essa situação exigirá do presidente cautela para lidar com as pressões dos aliados que começarão a chegar em Brasília junto com o eventual anúncio da reeleição.
Uma conversa em janeiro estimulada por um de seus ministros revelou o real desejo de Fernando Henrique. Presidente, garantida a reeleição, o senhor não poderá perder tempo e deverá iniciar seu segundo mandato no primeiro dia depois da eleição, sob o risco de deixar o governo e o País numa inércia durante três meses, até a posse, sugeriu o ministro, diante do olhar de concordância do presidente.
Os primeiros passos da ofensiva já foram ensaiados. Nesta última semana, uma mobilização de emergência começou a ser articulada pelo comando da Câmara e Senado para colocar as reformas constitucionais na ordem do dia tão logo passe o primeiro turno, confirmada a vitória de Fernando Henrique nas urnas. Sendo eleito no primeiro turno, Fernando Henrique terá ótimas condições de negociação política com as lideranças do Congresso, para levar as reformas adiante como o Brasil precisa, afirmou o coordenador político da campanha tucana, Euclides Scalco.
Concluir as reformas não depende do governo, advertiu o ministro da Justiça, Renan Calheiros (PMDB), um dos interlocutores do presidente no Congresso, para quem o governo estará muito envolvido na tarefa de articular sua base parlamentar para aprovar reformas ainda este ano. A composição do governo só deverá se expressar nos últimos dias que antecederem à posse, concordou.
Geografia das urnas Eleito no primeiro turno, o presidente tem um desejo
enorme de começar o novo governo logo em seguida, mas ficará amarrado nas eleições estaduais, até conhecer quais de seus aliados saem vitoriosos e quais serão derrotados no segundo turno, observou um coordenador da campanha de Fernando Henrique. O presidente terá de esperar para ver qual a geografia que sairá das urnas, salientou o vice-presidente do PFL, deputado José Jorge (PE).
Também a participação do presidente nas campanhas estaduais durante o segundo turno ficará em suspense, pelo mesmo motivo de que seus aliados estarão disputando em palanques opostos. O caso mais exemplar é o de Minas Gerais, onde um acordo entre o governo federal e o candidato Itamar Franco (PMDB) - que deverá enfrentar um segundo turno com o tucano Eduardo Azeredo - incluiu a distância de Fernando Henrique da eleição mineira.
O problema repete-se no Pará, onde a disputa também vai se arrastar até o segundo turno entre dois aliados do Palácio do Planalto, o governador Almir Gabriel (PSDB) e o senador Jader Barbalho (PMDB). Os dois estão teoricamente empatados e o melhor que Fernando Henrique faz - insistem seus conselheiros - é manter-se longe daquela briga.
Quanto à eleição em São Paulo, o comportamento de Fernando Henrique vai depender da evolução do candidato Mário Covas (PSDB) nestas duas últimas semanas. Se o tucano não emplacar no segundo turno, Fernando Henrique estará liberado para apoiar explicitamente o candidato do PPB, Paulo Maluf, contra o candidato da oposição Francisco Rossi (PDT). Situações semelhantes deverão ocorrer em pelo menos outros seis Estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Piauí, Roraima e Rondônia.
No Paraná as pesquisas apontam vitória do governador Jaime Lerner já no primeiro turno. O gvernandor paranaense, candidato a reeleição e aliado de FHC tem como seu principal oponente o senador Roberto Requião (PMDB), membro do Conselho Político de Lula.Cláudia Carneiro
Arquivo FolhaO presidente Fernando Henrique vai ter que esperar os resultados de São Paulo, Minas Gerais e outros seis estadose Gerson Camarotti
Agência Estado





